Dan Stulbach comanda série ‘Era Uma Vez Uma História’

Programa estreia nesta quinta-feira, às 22h50, na Band

Por O Dia

Rio - Já se imaginou alguma vez ser testemunha de um fato histórico que mudasse uma nação? Essa será a missão de Dan Stulbach a partir de hoje, às 22h50, quando estreia a série ‘Era Uma Vez Uma História’, na Band. Na produção, o ator e a historiadora Lilia Schwarcz serão testemunhas oculares e narradores de fatos que determinaram o destino do Brasil.

Dan Stulbach Divulgação

“Foi ótimo aprender com a Lilia sobre o Brasil, esclarecer e aprofundar o entendimento da formação do nosso país. Uma série feita com cuidado e carinho para divertir a todos, sem abrir mão do conhecimento. Fiquei muito feliz de fazer parte do projeto, tomara que provoque curiosidade, que as escolas usem, que todos se divirtam”, diz Dan.

FORMATO DA SÉRIE

Gravada no Brasil e em Portugal, a série de quatro episódios mostrará da fuga da Família Real portuguesa para o Brasil até a abolição da escravatura, passando pela Revolução do Porto, as ruas imundas do Rio de Janeiro e como os escravos eram vendidos e torturados. Dan e Lilia serão inseridos em cenas históricas reconstruídas em ambientes reais ou de computação gráfica.

Atores e cantores — como Lenine e Luiza Possi — interpretam passagens importantes na atração, que envolveu 150 profissionais. Por cinco meses, uma equipe de cinco animadores e designers 3D trabalharam nas animações criadas em cima de documentos e representações da época. Tudo acompanhado por uma equipe liderada pela historiadora Lilia Schwarcz.

APRESENTADOR SEM QUERER

Muitas vezes ao longo dos episódios, Dan assume o papel do público e faz perguntas que ajudam a entender melhor o fato histórico. “Fui apresentador sem querer. Tinha acabado de fazer ‘Senhora do Destino’, participei de uma cena com a Renata (Sorrah), Susana (Vieira), José Wilker, José Mayer e Carol (Carolina Dieckmann), a cena da ponte, que teve mais audiência do que a final da Copa do Mundo. Eu achava o poder da televisão tão grande! Estava andando de bicicleta e falei: ‘Cara, quero fazer alguma coisa com isso’. E foi aí que tive a ideia de fazer um programa de rádio com os meus amigos. Gosto mais de perguntar do que de responder. Tenho mais perguntas do que respostas. Gosto da provocação, de entender o outro”, explica o também radialista.

MARCOS E A RAQUETE

Na carreira de ator, Stulbach ainda é muito lembrado por viver Marcos, homem violento que agredia sua mulher, Rachel (Helena Ranaldi), com uma raquete na novela ‘Mulheres Apaixonadas’, de 2003. “Outro dia, decidi voltar a jogar tênis. Eu havia parado por razões óbvias. O problema não foi na quadra. O problema foi eu chegar até a quadra. Todo mundo olhava. Eu achei engraçado. Ninguém falava nada. Apesar de não ter sido meu primeiro trabalho, foi o que pegou. E eu não tinha noção na época, do fundo do meu coração. Hoje em dia, eu penso no que foi. Tinha segurança na minha casa porque eu sofria ameaça de morte. Eu não era atendido bem nos restaurantes, as mulheres não sentavam do meu lado no avião, porque era um outro grau de envolvimento. Não tínhamos TV a cabo nem internet. Acho que foi uma das últimas novelas que tiveram essa possibilidade da TV aberta mais onipresente”, lembra o ator, aos risos.

NA TRAMA DAS NOVE

O ator com Fiuk%2C Maria Fernanda Cândido e Carol Duarte em ‘A Força do Querer’Divulgação

Atualmente, Dan interpreta o empresário Eugênio, de ‘A Força do Querer’, na Globo. Marido de Joyce (Maria Fernanda Cândido) e pai de Ruy (Fiuk) e Ivana (Carol Duarte), o advogado é quem mais entende a filha, que ao longo da trama se revela transexual. “Ela não entende o que está acontecendo, e o público vai entender aos poucos junto com ela. Acho bom, porque vai mostrar essa trajetória toda. Foi uma excelente escolha da Gloria (Perez, autora)”, frisa.

PROJEÇÃO DOS PAIS

Para o ator, um dos problemas enfrentados pela personagem Ivana é a projeção que a mãe, Joyce, faz na filha. “Acho que todo mundo que é pai ou mãe já fez isso, e todo filho já sentiu isso dos pais também. É a projeção para que o filho seja uma projeção ou igual aos pais, ou uma ideia do que ele não foi. Não por ela ser trans ou não, mas só por ser muito diferente da personagem da Maria Fernanda já existe um incômodo. E há também uma imposição do meu personagem com o personagem do Fiuk. Cada personagem tem um desejo muito claro. Isso é muito bem desenhado na novela”, observa.

“Acho o máximo tratar do assunto trans, por exemplo. Acredito que que o Eugênio vai aceitar com mais clareza do que a mãe, Joyce, até porque, trabalhando com o Direito, ele vai poder lidar com as questões legais”, completa.

Por iniciativa própria, Dan Stulbach entrevistou cinco trans, entre masculinos e femininos, e filmou o bate-papo. “Eu queria aprender sobre o assunto, derrubar ou melhorar minha ignorância. O preconceito é filho da ignorância. E de repente, fazer uma novela dizendo, propondo, esclarecendo um assunto desses é de alguma maneira abrir uma grande possibilidade de derrubar ou pelo menos diminuir o preconceito. Isso engrandece a minha profissão. Isso me anima a fazer uma novela”, diz, orgulhoso.

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