Pesquisadores acreditam que esta fêmea (prenha) pode aumentar a espécie na baía da Ilha GrandeDivulgação/Reprodução Rede Social

Ilha Grande- A Baía da Ilha Grande, em Angra dos Reis, tornou-se palco de uma descoberta inédita para a pesquisa marinha brasileira. Cientistas do Instituto Pró-Shark identificaram cerca de 100 tubarões-tigre na região, marcando o primeiro monitoramento da espécie por satélite no Sudeste do país. 
Há cinco anos, pesquisadores acompanham a presença de tubarões e raias na baía. O trabalho ganhou um novo capítulo neste ano, quando três tubarões-tigre receberam transmissores via satélite instalados em suas barbatanas dorsais. Batizados de Gaspar, Baltazar e Melchior, em referência aos três reis magos, que inspiram o nome de Angra dos Reis, os animais passaram a fornecer informações sobre seus deslocamentos em tempo real.
A iniciativa representa um avanço importante para a ciência, já que os tubarões-tigre monitorados até então no Brasil estavam concentrados principalmente na região entre Recife e Fernando de Noronha. Agora, os pesquisadores buscam entender os hábitos da espécie no litoral fluminense e investigar possíveis conexões com populações encontradas no Nordeste e em outras partes do mundo.
Além dos machos monitorados, a equipe encontrou fêmeas de grandes dimensões, algumas ultrapassando 4,5 metros de comprimento — um registro considerado raro para o estado do Rio de Janeiro. Uma dessas gigantes chamou ainda mais atenção dos pesquisadores por apresentar características que indicam uma possível gestação, o que pode significar um aumento da população da espécie na região.
Segundo os cientistas, a presença desses predadores reforça a importância ecológica da Baía da Ilha Grande, considerada uma das áreas mais preservadas do litoral brasileiro. Apesar da fama de agressivo atribuída ao tubarão-tigre, os pesquisadores destacam que não há registros de ataques a seres humanos na baía.
A recomendação é que moradores e visitantes mantenham o respeito ao ambiente marinho e à fauna local. Para os especialistas, o monitoramento permitirá ampliar o conhecimento sobre a espécie e contribuir para estratégias de conservação que garantam o equilíbrio ecológico e a convivência harmoniosa entre os animais e as atividades humanas na região.
Você pode gostar
Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.