Cais da Vila do AbraãoDivulgação
Ilha Grande- – A possibilidade de cancelamento da próxima edição do Festival de Música e Ecologia da Ilha Grande, prevista para ocorrer dentro de aproximadamente 30 dias, provocou forte repercussão entre moradores, empresários e representantes do setor turístico da ilha. O evento, considerado um dos mais tradicionais e importantes do calendário cultural da região, tornou-se o centro de uma nova polêmica em meio aos debates sobre a implantação da Taxa de Turismo Sustentável (TTS).
A instabilidade no setor de segurança e protestos podem ser os principais motivos do cancelamento do festival que ao longo dos anos vem oxigenando a economia e o setor turístico da região. Para grupos que se posicionam contra a nova cobrança, a divulgação da hipótese de cancelamento do festival está sendo interpretada como uma tentativa de pressionar a população que vem questionando a medida.
A insatisfação ganhou força porque, segundo representantes da comunidade e do setor turístico local enquanto o governo municipal discute a realização de um evento cultural consolidado, não tem promovido reuniões para debater as preocupações apresentadas por moradores e empresários sobre a taxa.
Os questionamentos envolvem principalmente a falta de informações detalhadas sobre a aplicação dos recursos arrecadados. Até o momento, críticos e representantes da Associação de Hotelaria afirmam que não houve esclarecimentos públicos sobre quais investimentos serão realizados na Ilha Grande nem garantias de que os valores recolhidos serão integralmente revertidos em benefícios para o território insular.
"Também permanecem dúvidas sobre promessas relacionadas a serviços que não estão sob responsabilidade direta do município, como abastecimento de água e tratamento de esgoto, atribuições do Governo do Estado. Da mesma forma, representantes do setor turístico questionam de que maneira a taxa contribuiria para ações ligadas à fiscalização marítima, competência da Marinha do Brasil".
Outras questões levantadas pela comunidade ainda aguardam respostas. Entre elas, estão os critérios de cobrança para visitantes que chegam à Ilha Grande por Mangaratiba e Conceição de Jacareí, a fiscalização de embarcações de passeio conhecidas como “bate e volta” e a forma de enquadramento de proprietários de embarcações particulares e turistas que utilizam marinas de Angra dos Reis ou de municípios vizinhos.
A polêmica também envolve a empresa contratada para operar a arrecadação da taxa. Segundo informações divulgadas anteriormente, a empresa ficará com 12% da receita arrecadada, o que motivou pedidos de maior transparência sobre o processo de contratação, fiscalização e prestação de contas.
A divulgação da possível suspensão do Festival de Música e Ecologia elevou ainda mais a tensão em torno do tema. Representantes do movimento contrário à TTS afirmam que o evento não deve ser utilizado como elemento de pressão em uma discussão sobre políticas públicas e desenvolvimento turístico. Para eles, associar os protestos contra a taxa ao risco de cancelamento de uma importante manifestação cultural cria um ambiente de intimidação e desvia o foco das reivindicações apresentadas pela população.
Moradores e empresários destacam que "defendem a preservação ambiental e o turismo sustentável, mas argumentam que a implementação de medidas dessa natureza deve ocorrer com diálogo, transparência, segurança jurídica e participação efetiva da comunidade local".
A Prefeitura de Angra dos Reis ainda não confirmou oficialmente o cancelamento do festival, mas estuda a possibilidade, levando em consideração a aglomeração de pessoas, visitantes que ao longo dos anos visitam a Vila do Abraão nesta época do ano. No entanto, a repercussão do assunto intensificou os debates sobre a Taxa de Turismo Sustentável, cuja implantação continua sendo alvo de questionamentos por parte de moradores, empresários e entidades ligadas ao turismo da Ilha Grande.
A prefeitura informou que nesta quarta-feira,(3), fará uma coletiva à imprensa para abordar o início da cobrança da taxa de turismo em Angra dos Reis e os problemas relacionados a segurança na Vila do Abraão, após a taxação.

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