SustentabilidadeDivulgação/Rodrigo Campanário
Ilha Grande - Em uma iniciativa que busca fortalecer modelos de desenvolvimento mais inclusivos e sustentáveis, comunidades tradicionais das três grandes baías do estado do Rio de Janeiro se reunirão entre os dias 9 e 12 de junho, na Vila do Abraão, em Angra dos Reis, para o 1º Workshop de Turismo de Base Comunitária Do Mangue ao Mar. O evento acontecerá na Casa de Cultura Constantino Cokotós e reunirá lideranças comunitárias, pesquisadores e representantes de instituições das baías de Sepetiba, Ilha Grande e Guanabara, além de participantes de Mangaratiba e Paraty.
Promovido pelo projeto Do Mangue ao Mar, realizado pela ONG Guardiões do Mar em convênio com a Transpetro, o encontro surge como uma resposta ao turismo de massa e seus impactos sobre territórios tradicionais. A proposta é fortalecer o Turismo de Base Comunitária (TBC), modelo que prioriza a participação ativa das comunidades na gestão da atividade turística, promovendo geração de renda, valorização cultural e conservação ambiental.
A programação será aberta oficialmente no dia 9 de junho, com credenciamento, mesa de abertura, encontros, vivências e atividades culturais. Nos dias seguintes, os participantes irão debater temas como os impactos das mudanças climáticas sobre os modos de vida tradicionais, os desafios provocados pelo turismo predatório, a valorização da identidade cultural por meio do etnoturismo, a construção de redes colaborativas e o fortalecimento da governança comunitária.
Segundo o presidente da ONG Guardiões do Mar e coordenador do projeto Do Mangue ao Mar, Pedro Belga, o workshop representa uma oportunidade de ampliar a cooperação entre os territórios.
-Ao reunir comunidades de diferentes baías fluminenses, o workshop cria um ambiente potente de troca de experiências e construção conjunta. É uma oportunidade de conectar saberes locais, apoio técnico e novas possibilidades de cooperação - destacou.
A expectativa dos organizadores é que o evento produza resultados concretos, como a elaboração de uma carta coletiva das “vozes das baías” e a definição de compromissos compartilhados entre comunidades e parceiros institucionais.
A assessora para o Turismo de Base Comunitária do projeto, Karen Loami, ressalta que o encontro foi pensado para fortalecer a autonomia dos territórios.
-O turismo de base comunitária só faz sentido quando nasce do território e respeita o tempo, a cultura e os interesses de quem vive nele e dele. Este encontro foi pensado para fortalecer redes, visibilizar experiências e criar condições concretas para que as comunidades avancem com autonomia - afirmou.
O workshop também busca enfrentar desafios apontados ao longo de anos de diálogo entre lideranças comunitárias, como a necessidade de ampliar a comunicação entre os territórios, fortalecer a formação de moradores, garantir maior autonomia financeira, melhorar a infraestrutura local e incentivar a participação da juventude nos projetos turísticos.
Para as comunidades costeiras, o Turismo de Base Comunitária representa uma alternativa capaz de conciliar geração de renda e preservação cultural.
-Pra gente, o turismo não pode ser uma coisa que chega de fora e decide tudo. Ele precisa ser construído com a comunidade, com respeito à nossa história, ao nosso trabalho e ao nosso jeito de viver. Quando isso acontece, ele fortalece, em vez de enfraquecer - afirmou Dinha Dias, do Ponto de Cultura S.O.S Ilha Grande.
O encontro também reforça o trabalho desenvolvido pelo projeto Do Mangue ao Mar nas baías de Sepetiba, Ilha Grande e Guanabara. A iniciativa apoia pescadores artesanais, agricultores familiares, catadores de caranguejo, caiçaras, grupos de mulheres e comunidades quilombolas por meio de formações, intercâmbios, assistência técnica e articulação entre lideranças.
Para a gerente geral de Responsabilidade Social da Transpetro, Nadynni Soeiro, a união das comunidades demonstra o potencial transformador da cooperação regional.
-A articulação das três grandes baías é um exemplo de como a cooperação pode transformar desafios em oportunidades, promovendo um turismo que gere benefícios de forma sustentável e valorize as comunidades locais - destacou.
A expectativa é que o workshop contribua para consolidar uma visão de turismo comprometida com a permanência das comunidades em seus territórios, a valorização dos modos de vida tradicionais e uma distribuição mais justa dos benefícios gerados pela atividade turística.



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