Prefeito de Turilândia, Paulo Curió (União Brasil)Reprodução

O prefeito, o vice, dez vereadores, um ex-vereador e ainda a primeira-dama do município de Turilândia, no Maranhão, foram presos suspeitos de integrar um esquema milionário de desvio de recursos públicos. Segundo o Ministério Público (MPMA), os envolvidos fazem parte de uma organização criminosa responsável por desviar mais de R$ 56 milhões da cidade.
A operação foi deflagrada na última segunda-feira (22) pelo Grupo de Ação Especial de Combate às Organizações Criminosas e a Polícia Militar (PM) em Turilândia e em São Luís.
Ao todo, foram cumpridos 51 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão. Em um único alvo, em São Luís, foram apreendidos quase R$ 2 milhões. A ação é um desdobramento da Operação Tântalo, realizada pelo Gaeco em fevereiro deste ano.
O prefeito da cidade, Paulo Curió (União Brasil), se entregou à polícia em São Luís, na manhã de quarta-feira (24), após ficar dois dias foragido. Além do prefeito, a primeira-dama do município, Eva Curió; a ex-vice-prefeita Janaina Lima e o marido dela, Marlon Serrão; e o contador da prefeitura, Wandson Jhonathan Barros, também se entregaram. Com isso, todos os mandados de prisão em aberto foram cumpridos.
Após a audiência de custódia, o prefeito, a vice, e a primeira-dama tiveram a prisão preventiva mantidas foram encaminhados para o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. A expectativa é que o presidente da Câmara de Vereadores, José Luís Araújo (União Brasil), assuma o comando do município nos próximos dias.
Na quinta-feira (25), a Justiça converteu para domiciliar as prisões dos cinco vereadores de Turilândia que se entregaram à polícia, na Unidade Prisional de Pinheiro (MA). Os parlamentares Gilmar Carlos (União Brasil), Savio Araújo (PRD), Mizael Soares (União), Inailce Nogueira (União) e Ribinha Sampaio (União).
Segundo com o MP, a Justiça tem entendido que os vereadores devem ficar presos em casa durante as investigações, com uso de tornozeleira eletrônica, para que o município não fique sem comando, já que a prisão do prefeito Paulo Curió foi mantida.
Além dos gestores, empresários, servidores, vereadores e um secretário municipal de Agricultura do município são investigados por integrar o esquema de corrupção. 
De acordo com o Ministério Público, por meio do Gaeco, há indícios da prática dos crimes de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. As irregularidades teriam ocorrido durante a gestão do prefeito José Paulo Dantas Filho (Paulo Curió), entre 2021 e 2025.
As investigações apontam que, desde 2021, um posto de combustível que pertence à ex-vice-prefeita Janaína e ao marido dela era utilizado para a lavagem do dinheiro. A prefeitura pagava por abastecimentos que não ocorreram, e os valores retornavam diretamente para o prefeito Paulo Curió.

Ainda de acordo com o MP, a responsável pelos pregões eletrônicos no município, Clementina de Jesus Pinho, admitiu que quase a totalidade das licitações da prefeitura eram fraudadas. Clementina também está presa.

"Dito por ela, 95% das licitações foram fraudadas de acordo com a determinação do Paulo Curió. E ela trouxe um dado muito interessante, ela fazia isso para ganhar mimos, ganhar presentes, ganhar algo espúrio", afirma Fernando Berniz, promotor de Justiça.