Lula condenou ataque dos Estados Unidos à VenezuelaReprodução / AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou, neste sábado (3), os ataques dos Estados Unidos à Venezuela, que resultaram na captura de Nicolás Maduro e de sua mulher, Cilia Flores. Ele afirmou que a operação ultrapassa uma "linha inaceitável" e que "afronta à soberania" do país, abrindo um precedente perigoso para toda a comunidade internacional.
"Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo", escreveu Lula nas redes sociais.
O presidente destaca que os bombardeios lembram os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe, além de que ameaça a preservação da região como uma zona de paz. Por fim, ele cobrou um posicionamento firme da ONU.
"A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação", concluiu.
Donald Trump, presidente dos EUA, informou que haverá uma coletiva de imprensa neste sábado às 13h (horário de Brasília) com mais detalhes sobre a ação.
Fechamento da fronteira
A fronteira do Brasil com a Venezuela está fechada, na manhã deste sábado (3), em Pacaraima, Roraima, após o ataque dos EUA.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram viaturas e militares do Exército posicionados próximos ao marco onde ficam as bandeiras dos dois países, enquanto cones bloqueiam o acesso. A informação foi confirmada pelo diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em entrevista ao SBT.
"Lado Venezuelano está fechado. Nosso Adido Policial e Adido Adjunto estão na Embaixada em Caracas, colhendo informações diárias para assessorar a embaixadora e tentar antever movimentos. Por enquanto, todos em segurança", disse Andrei Rodrigues.
Ataque
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou que os bombardeios dos Estados Unidos ocorreram em várias regiões do país, incluindo a capital e que atingiram a população civil.
"Forças invasoras (...) profanaram nosso solo sagrado nas localidades de Fuerte Tiuna, Caracas, nos estados Miranda, Aragua e La Guaira, chegando a atingir, com seus mísseis e foguetes disparados de helicópteros de combate, áreas urbanas de população civil", disse o ministro.
Vídeos mostram fortes explosões que ocorreram na capital venezuelana, Caracas, por volta das 02h00 locais e que fizeram, inclusive, tremer as janelas em muitos bairros. Além disso, outros estrondos foram registrados em outras áreas do país.

As detonações continuaram na capital por cerca de uma hora, ao mesmo tempo em que se ouvia o que parecia ser o sobrevoo de aeronaves. Várias regiões do país estão sem eletricidade em decorrência dos ataques. Ainda não se tem um balanço das vítimas da ocorrência.
Conflito
O surpreendente anúncio do presidente dos EUA ocorre após meses de pressão militar e econômica cada vez maior por parte dos norte-americanos sobre Maduro e a Venezuela, dependente da exportação de petróleo, recurso do qual possui as maiores reservas do mundo.
Trump disse em dezembro que o mais "inteligente" seria que Maduro renunciasse e, posteriormente, afirmou que os dias no poder do líder venezuelano estavam "contados".
Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.