Rumble burlou o bloqueio ao usar 'a infraestrutura de uma outra empresa para alterar seus endereços de IP'AFP
Anatel afirma que atua para restabelecer bloqueio ao Rumble
Plataforma de vídeos utilizou uma manobra técnica para contornar a proibição imposta pelo STF em 2025
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) trabalha para restabelecer o bloqueio à plataforma de vídeos Rumble, que utilizou uma manobra técnica para contornar a proibição imposta em 2025 por desobedecer a decisões relacionadas ao combate à desinformação.
Rumble, plataforma norte-americana popular entre conservadores e a extrema-direita, foi banida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por se recusar a bloquear a conta de um usuário brasileiro residente nos Estados Unidos, procurado por disseminar informações falsas.
A Anatel detectou "possibilidade de acesso irregular da plataforma Rumble no Brasil" e "iniciou imediatamente os procedimentos técnicos para restabelecer o bloqueio", afirmou em comunicado enviado à AFP nesta segunda-feira (9).
Rumble burlou o bloqueio ao usar "a infraestrutura de uma outra empresa para alterar seus endereços de IP", explicou a Anatel, sem especificar quando a medida foi burlada.
Em 2024, a rede social X, do magnata Elon Musk, utilizou uma manobra semelhante para contornar uma proibição imposta por desobediência a ordens do STF. Na ocasião, a Anatel conseguiu restabelecer o bloqueio, que durou 40 dias até que o X cumprisse as ordens judiciais.
A Anatel "já identificou os novos IPs e as medidas de bloqueio começaram a ser implantadas nas principais redes brasileiras", detalha o comunicado. A agência prevê que a plataforma deverá ser bloqueada novamente em todo o país "nos próximos dias".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o Brasil de "ataques" a "empresas americanas de redes sociais".
Essa foi uma das razões citadas por Trump para a imposição de altas tarifas sobre produtos brasileiros em 2025 e para sancionar diversos ministros do STF. A maioria dessas medidas foi revogada após um encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em outubro.

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