Luiz Roberto Barroso disse que Supremo não pode ser alvo de julgamentos precipitadosValter Campanato/Agência Brasil
Barroso: STF passa por momento difícil, mas um fato não conta história da instituição
Ministro aposentado do Supremo afirmou ter 'simpatia' pela proposta de um código de ética para os integrantes da Corte
Brasília - O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso disse que está "observando a cena" e que a Corte passa por "um momento difícil", mas ponderou que não se deve deixar que "um fato conte a história da instituição". As declarações foram feitas em entrevista à Globo News veiculada na noite da última terça-feira, 10.
"Há uma percepção crítica real. Eu leio o jornal, vou à farmácia, tenho amigos. Portanto, é um momento difícil. Mas acho que a gente não deve fazer juízos precipitados e a gente não deve considerar que um fato conte a história da instituição", afirmou.
Barroso também defendeu que juízes podem ser acionistas de empresas. "Por exemplo, se a família dele tem imóveis, ele pode ter cotas daquela empresa que tem os imóveis. O problema não é esse. O problema, de novo falando em tese, é o tipo de relacionamento que você estabelece com quem, eventualmente, possa ter interesse no seu campo. Essa é a grande delicadeza", disse.
O ministro aposentado disse ainda que tem "simpatia" pelo código de ética para ministros do Supremo e cogitou implementá-lo, mas que não levou a ideia em frente porque é um tema "divisivo" na Corte. "Eu tive muitos projetos importantes que eu dependia da coesão do Tribunal", afirmou.
Durante a entrevista, o jornalista Roberto d'Ávila questionou Barroso, em tom de brincadeira, se ele costumava apagar mensagens do celular — uma referência indireta à controvérsia sobre os supostos diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro por mensagens de visualização única Barroso respondeu que não apaga e afirmou que não havia percebido a "maldade" na pergunta, acrescentando que costuma manter conversas antigas porque tem "má memória".
Barroso também avaliou que o "timing" da discussão sobre um código de conduta pode não ter sido o ideal. "Se há uma demanda da sociedade, e não há nada a esconder, eu não vejo porquê não fazer. O 'timing' talvez não tenha sido feliz, porque misturou com outros episódios, e alguém sempre pode achar que é contra si, ou por causa disso", afirmou.
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