Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL)AFP

Após uma briga nas redes sociais entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) divulgou um vídeo publicado pelo parlamentar mineiro. No sábado, 4, Michelle republicou em seu perfil um comentário de Nikolas sobre uma cena do filme "A Paixão de Cristo", dirigido por Mel Gibson.

Embora o vídeo não tenha relação com a discussão dos bolsonaristas, Michelle o divulgou no mesmo dia em que Eduardo e Nikolas trocaram ataques publicamente. A ex-primeira-dama e o enteado também vêm trocando indiretas nos últimos meses.
 


No dia 2 de abril, deputado mineiro compartilhou uma publicação da conta @NewsLiberdade (447,4 mil seguidores) no X, conhecida por promover salas virtuais de debate em áudio, criticando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Eduardo Bolsonaro se incomodou, uma vez que o administrador da conta, Keven Oliveira, dias atrás declarou não ter a intenção de votar em seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência nas eleições deste ano. Ele também criticou o CPAC, evento nos Estados Unidos em que Eduardo e Flávio discursaram na semana passada.

"Denunciei que o Spaces Liberdade não votará em @FlavioBolsonaro - ao menos no primeiro turno. Adivinhem quem prontamente compartilhou o perfil no mesmíssimo dia? Esta é só mais uma das várias coincidências do pessoal que pede união da direita", escreveu Eduardo, numa indireta a Nikolas.

Silvio Grimaldo, ex-editor do site olavista Brasil Sem Medo saiu em defesa de Nikolas. Referindo-se à crítica de Eduardo, Grimaldo afirmou que a publicação compartilhada pelo deputado mineiro era justamente uma crítica à esquerda - o que, portanto, na visão dele, não teria problema.

No sábado, Nikolas respondeu ao post de Grimaldo com um "kkk", risada na internet muitas vezes interpretada como ironia.

Eduardo fez a tréplica com um longo texto sobre o comportamento do desafeto: "Risinho de deboche para mim, Nikolas? Ao que parece, não há limites para seu desrespeito comigo e minha família".

Flávio Bolsonaro, então, entrou em campo para apaziguar a artilharia. Assim como havia feito dias atrás numa sala virtual, ele pediu "racionalidade" aos aliados e defendeu a união do PL e da direita.

"É muito angustiante ver lideranças do nosso lado se digladiando enquanto a gente tem um País para resgatar. E o inimigo não está aqui, está do lado de lá. Esse é o tipo de confusão que não tem vencedor. Todo mundo sai perdendo. Cada um tem os seus motivos, as suas mágoas, tem o direito de se defender do que acha que é agressão ou provocação do outro, beleza. Mas cada um tem o seu tempo", declarou Flávio. O senador pediu foco no objetivo, as eleições de outubro, e que os aliados perdoem uns aos outros.

Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estão em clima de discórdia desde a escolha de Flávio para disputar as eleições presidenciais deste ano pelo partido, o que desagradou a ex-primeira-dama.

Eduardo chegou a afirmar que a decisão não tinha que passar por Michelle e comparou o PL a uma organização militar.

"Em governo é assim, todo mundo fica chateado. Um partido é uma hierarquia. Tem que ter general, coronel, a tropa ali embaixo", disse Eduardo em entrevista ao UOL no final de março.

A ex-primeira-dama defendia o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para disputar o Planalto. Ele vai disputar a reeleição para o governo estadual.