Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)AFP

O ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem (PL-RJ), foi preso nos Estados Unidos nesta segunda-feira (13) pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE). Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o carioca fugiu para o país durante o julgamento da ação penal da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF).

A detenção ocorreu em Orlando, na Flórida, por questões migratórias, mas o nome dele já estava na lista de difusão vermelha da Interpol, como foragido internacional.

Ramagem ingressou na Polícia Federal (PF) em 2005. Ganhou destaque ao chefiar a segurança do ex-mandatário após o atentado a faca em Juiz de Fora, durante a campanha de 2018.
No início de 2019, já no governo Bolsonaro, Ramagem foi nomeado superintendente da PF no Ceará, mas deixou o cargo para ingressar na política. Passou um período como assessor no Palácio do Planalto e, em junho daquele ano, foi escolhido para chefiar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Sua gestão foi alvo de investigações sobre o uso da estrutura do órgão para monitorar ilegalmente adversários políticos, no caso conhecido como “Abin Paralela”. Segundo a PF, a Abin teria realizado 33 mil rastreamentos ilegais, incluindo o monitoramento de Alexandre de Moraes.
Além disso, o ex-parlamentar apoiou o ex-presidente nos ataques ao sistema eleitoral para manter Bolsonaro no poder.

Durante a investigação, o ex-deputado proibido pelo ministro de sair do país e teve que entregar todos os passaportes, nacionais e estrangeiros.

Em 2020, Jair Bolsonaro tentou indicá-lo para o cargo de diretor-geral da PF, mas a nomeação foi barrada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo. A decisão levou em conta, entre outros fatores, a relação próxima dele com a família do então presidente.

Dois anos depois, em 2022, ele foi eleito deputado federal pelo PL, com cerca de 59 mil votos. Já em 2024, concorreu à Prefeitura do Rio de Janeiro e ficou em segundo lugar, com aproximadamente 30% dos votos. Na ocasião, Eduardo Paes, do PSD, foi reeleito.
Em dezembro de 2025, ele perdeu o mandato de deputado após a Mesa Diretora da Câmara determinar sua cassação em razão de condenação criminal relacionada à trama golpista. Ele foi condenado a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito e golpe de Estado. 
A defesa tentou reduzir a pena, alegando participação de "menor importância" na trama golpista, e pediu a suspensão da condenação por organização criminosa, argumentando que o crime teria natureza permanente e também teria continuado a ocorrer após ele receber o diploma de deputado. Os advogados afirmam ainda que o STF foi omisso ao aplicar automaticamente a perda do cargo de delegado da PF.
Nas redes sociais, Ramagem afirmou que a decisão foi resultado de uma "canetada" e acusou o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de atuar como "subordinado de um ministro ditador", em referência a Moraes.
Ramagem deixou o Brasil por Roraima e entrou na Guiana de carro, de onde embarcou num avião para os Estados Unidos. A informação de que o ex-parlamentar esrava fora do país foi revelada pelo site PlatôBR Segundo investigações, ele deixou o Brasil em setembro.
Na época, a Câmara dos Deputados informou que não foi autorizada missão oficial no exterior para o deputado Ramagem, tampouco houve comunicação à presidência da Casa de afastamento do parlamentar do território nacional.

A Casa também informou que o deputado apresentou atestados médicos que abrangem os períodos entre 9 de setembro e 8 de outubro e 13 de outubro a 12 de dezembro.
Após a revelação, Moraes determinou a prisão de Ramagem. No fim de janeiro deste ano, o Ministério da Justiça e da Segurança Pública informou ao STF que o pedido de extradição do ex-deputado federal já havia sido entregue ao governo dos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2025.

O governo dos EUA vinha resistindo a cumprir outras ordens de Moraes para extraditar aliados do ex-presidente que fugiram aos EUA, como o blogueiro Allan dos Santos, foragido desde 2021.
Condenação
Jair Bolsonaro: foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão no julgamento da trama golpista. É a primeira vez na história do Brasil que um ex-presidente é condenado por tentativa de golpe de Estado.

Alexandre Ramagem: ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal (PL-RJ), foi condenado a 16 anos e 1 mês de prisão por tentativa de golpe de Estado. Os ministros também decidiram pela perda de seu mandato parlamentar

Paulo Sérgio Nogueira: ex-ministro da Defesa no governo Bolsonaro, foi condenado a 19 anos de prisão, sendo 16 anos e 11 meses de reclusão e 2 anos e 1 mês de detenção, por tentativa de golpe e outros crimes.

Augusto Heleno: o general foi condenado a 21 anos de prisão, sendo 18 anos e 11 meses de reclusão e 2 anos e 1 mês de detenção, por tentativa de golpe de Estado.

Almir Garnier: ex-comandante da Marinha, recebeu pena de 24 anos de prisão, sendo 6 meses de reclusão e 2 anos e 6 meses de detenção, por tentativa de golpe.

Anderson Torres: ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF, foi condenado a 24 anos de prisão, sendo 21 anos e 6 meses de reclusão e 2 anos e 6 meses de detenção.

Walter Braga Netto: o general foi condenado a 26 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Mauro Cid: tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, foi condenado a 2 anos em regime aberto. Como delator da ação penal relacionada à trama golpista, recebeu pena reduzida.