Haddad anunciou França e as pré-candidaturas ao Senado nesta quinta-feiraRedes sociais / Reprodução
Com o martelo batido, Marina e Tebet devem disputar as duas vagas na Casa Alta pela coligação alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eles devem enfrentar, entre outros nomes, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que buscará a reeleição, o deputado federal e ex-secretário estadual de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP) e o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), na eleição deste ano.
"Ontem, nós tivemos uma reunião muito produtiva com o presidente Lula, com o vice-presidente Alckmin e alguns partidos aliados", disse Haddad. "Tive uma grata surpresa, que foi uma conversa de altíssimo nível com os três outros companheiros que compõem a chapa majoritária para o governo do Estado e Senado."
Os quatro se reuniram na tarde da última quarta-feira (24), com Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), em Brasília, para encerrar a disputa. Segundo Haddad, os três ex-ministros se colocaram à disposição para compor a chapa como vice ou disputar o Senado, deixando a definição a cargo do pré-candidato petista
Como mostrou o Estadão/Broadcast, o presidente Lula preferia França como vice de Haddad. O ex-ministro do Empreendedorismo, porém, resistia à ideia e defendia disputar o Senado. Na última semana, após o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) e o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (PSDB) desistirem da corrida ao governo paulista, França passou a articular, nos bastidores, uma eventual candidatura própria ao Palácio dos Bandeirantes.
A possibilidade de França disputar o governo paulista encontrou resistência imediata no PT. Para os petistas, sua candidatura teria mais potencial de dividir o eleitorado de Haddad do que de reduzir a vantagem de Tarcísio. A pré-candidatura do ex-ministro da Fazenda ao governo paulista foi anunciada em 19 de março.
A demora na definição da chapa provocou, nos últimos meses, insatisfação entre partidos aliados. O descontentamento foi expresso pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) em 22 de maio. Segundo a parlamentar, a indefinição prejudicava a pré-campanha, sobretudo porque o campo adversário já havia acertado sua composição. "É só se conversarem, ajeitar", afirmou
Tebet também marcou posição no debate. Em entrevista à Veja, em 29 de abril, afirmou não haver "nenhuma chance" de integrar a chapa como vice. Dois dias antes, a Federação PSOL-Rede reiterou a pré-candidatura de Marina Silva ao Senado, endossada pelo PDT. "Não há plano B" além da ex-ministra do Meio Ambiente, afirmou a presidente nacional do PSOL, Paula Coradi.
Além disso, Haddad chegou a manifestar publicamente a sua preferência por uma mulher na vaga de vice. Também era preferível um nome que agregasse forças centristas. Nesse sentido, a ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Teresa Vendramini (PDT), foi convidada para ocupar o lugar, mas ela recusou o convite.
"A nossa chapa já é paritária e tem dois homens e duas mulheres", disse Haddad. "Nas minhas disputas majoritárias eu sempre, ou quase sempre, contei com uma mulher como vice."
Ao longo da campanha de 2022, quando disputou o Palácio dos Bandeirantes contra Tarcísio pela primeira vez, Haddad explorou a falta de raízes locais do adversário, com críticas ao desconhecimento geográfico, político e prático que ele teria sobre o Estado. O petista argumentava que, por ter construído a carreira no Rio de Janeiro e em Brasília, Tarcísio "caía de paraquedas" na política paulista e não sabia sequer onde votava
Em 20 de março de 2026, durante o evento oficial em que anunciou sua pré-candidatura, Haddad chegou a dizer que Tarcísio "é mais forasteiro" que a ex-ministra do Planejamento e pré-candidata ao Senado pelo campo lulista, Simone Tebet (PSB).
Durante coletiva nesta quinta-feira para anunciar a definição da chapa alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo, Haddad negou haver incoerência no fato de Simone Tebet e da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede), ambas pré-candidatas ao Senado, não serem paulistas. Tebet é natural de Mato Grosso do Sul, e Marina, do Acre.
"Meu pai vem do Líbano. Como é que eu vou ter preconceito com quem não é de São Paulo? Meu pai nasceu no Líbano. Toda a minha família é imigrante", continuou o petista. "O problema é quando você é artificial. E eu sabia que isso ia acontecer, porque eu sempre dizia: o Tarcísio está com a cabeça fora de São Paulo", disse referindo-se ao período que Tarcísio era considerado pré-candidato à Presidência da República.
"Tarcísio teve pelos três anos e meio a oportunidade de visitar as cidades de São Paulo e ele optou por não visitá-las. Tarcísio, acho que não esteve em 20% das cidades pessoalmente", disse França. "O Alckmin fazia todos os anos, ia a todas as cidades."
O ex-ministro do Empreendedorismo disse ainda - diante da possibilidade da eleição ser decidida em primeiro turno por ter apenas Tarcísio e Haddad pré-candidatos - que é preciso estar preparado para "surpresas". "Quando você arrisca o primeiro turno, ele sempre é apertado. Não existe um turno que seja um turno muito largo. Um turno só é sempre apertado, para lá ou para cá. Porque a gente espera que seja para cá", afirmou.