Guilherme Boulos disse que Flávio Bolsonaro está 'se curvando e se humilhando' para Donald TrumpFabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
"Não tem justificativa para uma pauta que interessa ao povo brasileiro estar parada na gaveta há um mês por interesses menores. O presidente do Senado está errando e errando feio. E acho que está brincando com fogo", declarou.
Questionado sobre qual seria esse "contra-ataque", Boulos disse que "a sociedade é quem vai dizer qual vai ser". "Achar que vai paralisar uma pauta com clamor social e que a sociedade vai assistir a isso passiva, me parece uma concepção muito temerária e equivocada", completou.
O ministro da Secretaria Geral da Presidência não disse, efetivamente, o que o governo federal deve fazer nesse sentido para garantir a aprovação da PEC do fim da 6x1. Afirmou que a principal resposta virá da pressão pública.
Boulos também criticou a PEC apresentada pela oposição no Senado como alternativa ao fim da escala 6x1. O ministro disse que a chamada PEC da hora trabalhada representa "o fim dos direitos trabalhistas, a redução salarial e o trabalhador tendo de se virar com bicos". Chamou a proposta de "vergonha" e "farsa", além de "um tapa na cara do povo".
"Uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o senador Flávio Bolsonaro, que apoia a PEC da hora trabalhada, faltou em 43% das sessões deliberativas do Senado. Imagina se valesse para ele a PEC da hora trabalhada. Não ia conseguir pagar as compras no fim do mês", declarou.
Boulos também criticou a atuação do setor empresarial contra o fim da escala 6x1. Falou que essa tentativa é uma "maneira descarada para atacar" a proposta. "O presidente da Fecomercio-SP chegou ao ponto de, em entrevista, atacar o fim da escala 6x1, dizendo que é uma grande besteira, e sugerir que beneficiários de programas sociais não poderiam votar", declarou.
"O que você acha que está em jogo? É para os EUA poder tratar dos direitos humanos do Brasil? O que está em jogo se chama minerais críticos e terras raras, que ele (Flávio) quer entregar de bandeja para os americanos", disse.
Questionado sobre as vitórias de líderes de direita na América do Sul recentemente (especificamente no Peru e na Colômbia), Boulos disse que "sempre existiram" diferenças ideológicas entre presidentes do continente. Mas tentou colocar um elemento como uma possível convergência: a defesa da soberania local.
"A despeito de diferenças políticas dos governantes da América do Sul, que sempre existiram, nós temos uma ameaça neocolonial vinda da maior potência do planeta [os EUA] que é brutal. Para além de questões partidárias, temos uma questão de soberania. Isso precisa unificar o continente", afirmou.
Apesar da fala do ministro, diversos países sul-americanos demonstram um alinhamento com os EUA após a eleição de líderes de direita. Prova disso é a relação de Javier Milei, presidente da Argentina, com Trump. O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, também já demonstrou interesse em uma relação próxima com o norte-americano.
"Achei muito justas as críticas colocadas pela Erika Hilton, assim como outro parlamentares, que tiveram um fundo eleitoral que não é proporcional ao papel que têm na chapa para poder puxar votos e poder garantir vitórias para o partido. Agora, não estou envolvido no debate interno partidário. Meu foco está para ajudar o governo do presidente Lula nesta reta final", disse o ministro da Secretaria Geral da Presidência.
Hilton reclamou publicamente na semana passada pelo dinheiro que a direção do partido destinou para a sua campanha. Não falou em números, mas integrantes do PSOL disseram, nas redes sociais, se tratar de algo em torno de R$ 2 milhões para a candidatura à reeleição da deputada, por exemplo.
Erika Hilton disse que "o PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando". Acusou a direção partidária de privilegiar outros correligionários por "privilégio branco e cis", citando o caso do presidente da federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, e da pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul Manuela D'Ávila.
"É um absurdo que a direção partidária feche os olhos para essa realidade. Hoje, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu. Manuela D'ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro. Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios", afirmou Erika Hilton em publicação.
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