Fernando Haddad participou da reunião com lideranças e militantes em Iguape, no Vale do Ribeira, nesta quinta-feiraRedes sociais / Reprodução
O petista comparou a trajetória de Gaspar à do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que vai concorrer novamente ao posto na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) este ano.
"De um lado, você tem Geraldo Alckmin, quatro vezes governador de São Paulo, vereador, deputado estadual, deputado federal e ministro do Desenvolvimento. Sempre ocupou todos os cargos com 50 anos de vida pública. Do outro, não dá nem para comparar", disse o ex-ministro da Fazenda.
Haddad também afirmou que Flávio está isolado na corrida presidencial e disse não esperar uma escolha melhor de vice por parte do adversário, embora tenha dito que a indicação ainda assim o surpreendeu. Enquanto o senador tem uma chapa pura sem coligações, Lula (PT) conseguiu reunir os partidos de esquerda em torno de si, sendo eles: Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Rede Sustentabilidade, Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV).
Flávio anunciou Gaspar como candidato a vice na quarta-feira, 5. A escolha de um nome do próprio Partido Libreal (PL) ocorreu depois de Progressistas (PP) e Republicanos decidirem manter neutralidade na disputa pelo Palácio do Planalto.
Ao apresentar o companheiro de chapa, o senador destacou a origem nordestina do deputado e sua atuação como relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS e na área de segurança pública. Gaspar, por sua vez, afirmou que será um soldado leal durante a campanha.
"O Lula vai deixar a Polícia Federal trabalhar porque a nós interessa a verdade", disse Haddad em entrevista coletiva após reunião com lideranças e militantes em Iguape (SP), no Vale do Ribeira. "Qualquer que seja, a verdade tem que ser conhecida."
Haddad disse que o principal mérito do governo federal é garantir autonomia à PF e acusou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de ter agido de forma diferente quando um de seus filhos era investigado, ao trocar o diretor-geral da corporação e promover a saída do hoje senador Sergio Moro do Ministério da Justiça.
O petista defendeu que familiares de autoridades sejam responsabilizados caso cometam irregularidades, independentemente da influência política dos pais. Segundo ele, essa regra deve valer para seus próprios filhos e para os de Lula e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu adversário na disputa ao Palácio dos Bandeirantes.
"Eles têm que saber que não é porque são filhos de pessoas que têm influência que essas pessoas vão usar a influência para proteger quem quer que seja", afirmou.
Lulinha é investigado pela PF sob suspeita de tráfico de influência no governo federal. O caso ganhou novo desdobramento após a corporação identificar transferências da empresária Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente, para o ex-chefe de gabinete de Lula, o cientista político Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Marcola deixou a campanha petista na quarta-feira, 5, após a revelação das transações. Ele alegou que recebeu um empréstimo de caráter privado e o quitou com um repasse de R$ 249 mil. Roberta também é investigada e apontada como lobista em negócios relacionados a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".
Ao comentar o encerramento da greve dos funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), deflagrada após a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade ao grupo Trivia Trens, Haddad atribuiu a insatisfação a Tarcísio.
"Fiquei feliz por ter terminado. Eu entendo que São Paulo está vivendo um momento muito difícil, porque todas as privatizações do Tarcísio já estão dando errado. A Sabesp está dando muito errado. A CPTM teve que voltar atrás depois do incêndio em vagões de trem, colocando em risco a vida de dezenas de pessoas. O free flow teve que ser adiado para 1º de janeiro de 2027, inclusive com a necessidade de indenizar a concessionária com dinheiro dos paulistas", declarou Haddad.
O candidato também reiterou que, caso seja eleito, pretende revisar os contratos firmados pela atual gestão. "Tudo isso precisa ser revisto com cuidado. Os contratos leoninos contra o Estado de São Paulo, assinados pelo Tarcísio, eu vou rever", disse.