Ministro do STF Alexandre de Moraes e a mulher dele, Viviane BarciReprodução
Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados.'', explica.
Em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou ao ministro se deveria deixar o país: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". Na mesma conversa, questionou se o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, seria o responsável pela decisão e se Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, tinha conhecimento da situação. Também perguntou: "Conseguimos fazer algo?".
No dia seguinte, véspera da prisão, o banqueiro voltou a procurar Moraes. "Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?", escreveu.
As mensagens indicam ainda que Vorcaro tentou marcar um encontro com o ministro. "Às 14h então, na sua casa ou na minha?", escreveu. Na sequência, demonstrou preocupação com os possíveis efeitos da operação sobre seus negócios.
"Muita sacanagem isso. Estou perplexo e indignado. Esses caras vão destruir todo o negócio e sem volta. De repente até melhor eu encarar de frente. Temos que dar um jeito de desarmar isso meu Deus", afirmou.
Na noite de 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela PF no Aeroporto Internacional de São Paulo enquanto tentava embarcar em um jato particular com destino a Malta e, depois, Dubai. Segundo as investigações, ele buscava deixar o país para evitar a prisão.
A ordem de prisão preventiva foi assinada naquele mesmo dia, às 15h29, pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite.
As conversas foram recuperadas pela PF a partir do celular de Vorcaro e fazem parte de um relatório encaminhado ao STF. Como as mensagens enviadas por Moraes eram configuradas para visualização única, a perícia não conseguiu recuperar o conteúdo das respostas do ministro.
O material foi encaminhado para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo ministro André Mendonça, que retirou o sigilo dos documentos. A PF aponta que os diálogos indicam que Vorcaro tinha acesso antecipado a informações sobre o andamento da Operação Compliance Zero.
"É grave o que está aparecendo, o que o Estadão revela. Entendo que isso tem que ser investigado. [...] Tudo isso tem que ser passado a limpo, tem que ficar às claras", afirmou durante uma visita a um hospital na capital paulista.
Já o candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, adotou um tom mais duro ao comentar o caso. Em uma publicação no X, ele acusou Moraes de ter editado o contrato e também fez referência a supostos contatos do ministro com autoridades em favor de Vorcaro.
Zema ainda lembrou que protocolou um pedido de impeachment contra Moraes, em março deste ano, quando ainda era governador de Minas Gerais. Ao final da publicação, defendeu a prisão do ministro e a devolução dos valores envolvidos.
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) também defendeu a saída de Moraes do Supremo. Ao chegar ao Senado nesta terça-feira, ele afirmou que o ministro deveria renunciar ao cargo por causa de sua relação profissional anterior com Vorcaro.
"O Alexandre de Moraes tinha de renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem melhor condição dele continuar sendo ministro do Supremo", declarou.
Flávio também foi questionado sobre o novo pagamento de US$ 1,6 milhão feito por Vorcaro ao fundo Havengate Development, responsável por administrar recursos usados na produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo a revista Piauí, a transferência ocorreu em setembro de 2025, oito dias após o senador cobrar o banqueiro por parcelas atrasadas.
O candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, voltou a defender uma mudança no modelo de composição do STF. Durante visita à Expointer, no Rio Grande do Sul, ele afirmou ser favorável ao fim da vitaliciedade dos ministros da Corte.
"Temos de romper com isso. Eu tenho o respeito de vários ministros do Supremo, mas sou o único que fala isso", disse Cury. Ele defende que os ministros exerçam o cargo por oito anos.