gráfico especial betsImagem gerada com IA

As empresas de apostas, conhecidas como bets, estão cada vez mais presentes no cotidiano dos brasileiros. As plataformas ocupam espaços em comerciais de televisão, redes sociais, uniformes de clubes de futebol, placas nos estádios e conteúdos divulgados por influenciadores, celebridades e ex-jogadores.
A presença constante das marcas ajudou a popularizar as apostas, que também ganharam espaço com a facilidade de acesso por aplicativos de celular e a promessa de ganhos rápidos. O crescimento acelerado do setor transformou o Brasil em um dos principais mercados consumidores desse tipo de entretenimento no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, Reino Unido, Itália e Rússia.
Em 2026, o país chegou a 188 plataformas legalizadas, todas autorizadas a operar pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).
Nos Estados Unidos, as apostas também representam um problema. Uma pesquisa realizada pelo Siena Poll em fevereiro apontou que mais de um quarto dos americanos, cerca de 27%, afirma ter uma conta ativa em uma casa de apostas esportivas online. Entre os homens de 18 a 49 anos, o percentual chega a 52%.
O levantamento também chama atenção para o comportamento de jovens adultos que apostam em esportes. Parte desse público estaria destinando ao jogo dinheiro que poderia ser utilizado em investimentos de longo prazo.
Uma pesquisa da Betterment, realizada com mil investidores, aponta que 52% dos investidores da Geração Z, nascidos entre 1997 e 2007, já redirecionaram recursos que seriam destinados a investimentos para apostas esportivas.
O preço das apostas
A reportagem do iG conversou com pessoas que desenvolveram dependência em relação aos jogos, perderam grandes quantias de dinheiro e relataram como suas vidas foram afetadas.
Um jogador que prefere não se identificar afirmou que gastava cerca de R$ 2 mil por semana com apostas. “Eu era gerente de uma casa de apostas, então gastava toda a minha comissão e um pouco mais.”
Segundo ele, percebeu que os jogos haviam deixado de ser uma diversão e se tornado uma dependência quando passou a retirar dinheiro destinado a outras finalidades para apostar.
“Isso estava prejudicando minha família. Afetou de todas as formas e das piores possíveis. Cheguei a perder meu casamento, a confiança de toda a família e, literalmente, deixei de trabalhar para focar nisso.”
O apostador também contou como percebeu que precisava parar de jogar e falou sobre como está sua vida atualmente.
“Literalmente, perdi a confiança de todos e, principalmente, da minha esposa. Hoje, por causa dela, consegui me livrar desse vício. Lógico que a vontade partiu de mim, mas meu maior gatilho foram ela e minha filha. Precisava ser alguém e, hoje, consigo me olhar no espelho sem ter nenhuma vergonha de quem me tornei.”
Uma jogadora que também prefere não se identificar afirmou que percebeu que os jogos haviam deixado de ser apenas diversão quando já não conseguia mais ficar sem apostar.
“Quando eu não tinha dinheiro, ficava atrás de conseguir, emprestando de parentes, mesmo sabendo que não estava tendo ganhos, era só perda. Não consigo estimar um valor, pois foram cerca de três a quatro anos presa nos jogos, mas sei que foi uma quantia considerável. Sou desempregada e recebia um benefício social. Eu gastava todo o valor que recebia nas bets e também fazia empréstimos no meu nome e no nome do meu pai.”
Conversa 2 especial bets - Reprodução
Conversa 2 especial betsReprodução
Ainda de acordo com ela, a dependência afetou todas as áreas de sua vida.
“Sou mãe e esposa. Meu marido travava uma luta contra o meu vício e também acabava sendo prejudicado, pois todas as dívidas que eu adquiria por conta dos jogos, no final do mês, meu marido me ajudava a pagar. Ele sofreu, minha mãe e minhas irmãs também e, principalmente, meus filhos. Apesar de serem crianças, eles tinham certa noção do que estava acontecendo.”
Ela também contou quando percebeu que precisava de ajuda.
“Foi exatamente quando vi que não tinha controle sobre mim e que estava cheia de dívidas. Sempre fui uma pessoa honesta e paguei as contas em dia. Já não dormia. Tinha dias em que passava a tarde e a noite toda jogando e entrava pela madrugada, com sono e, ao mesmo tempo, com os olhos vidrados na tela do celular.”
Segundo ela, no dia seguinte, a situação era ainda pior.
“Vinha o desespero, o medo, o choro, a culpa e o sentimento de fracasso.”
Ela se emociona ao lembrar de toda a trajetória e dos desafios que precisou enfrentar para conseguir parar de jogar.
“Escrevo com lágrimas no rosto, lembrando de todo o inferno que vivi por conta daquele vício. Hoje, estou há quase 10 meses curada, sem recaídas. A sensação é de alívio e paz. Consigo dormir e acordar bem, não tenho mais crises de ansiedade, choro ou tristeza. Minha vida é outra. Dou graças a Deus por ter me mostrado que minha vida é preciosa e que eu era capaz de me curar. Hoje, estou curada.”
Ailton Matos conta que começou a apostar em 2013, por influência de um amigo que o chamou para assistir a uma partida de futebol em um bar na cidade onde morava, Santo Antônio de Jesus, na Bahia.
“Comecei a apostar em 2013 e só parei definitivamente em 31 de dezembro de 2025. O vício avançou rápido, e boa parte do meu dinheiro ia para as apostas. Já no segundo dia, passei praticamente o dia inteiro analisando estatísticas e estudando jogos de futebol para apostar.”
 
Ainda de acordo com Ailton, ele estima que, durante o período em que apostou, tenha perdido pelo menos R$ 2 milhões.
“Só no ano passado, perdi cerca de R$ 750 mil. Em outubro, em um momento muito difícil por causa do vício, vendi os negócios que eu tinha por R$ 200 mil. Depois, vendi minha própria casa por R$ 155 mil e perdi todo esse dinheiro em apenas três dias. Além disso, peguei aproximadamente R$ 250 mil emprestados com agiotas.”
Segundo ele, a situação ficou tão grave que precisou sair da cidade onde morava e ir para Belo Horizonte para reconstruir a vida.
“Hoje, vendo doces pelas ruas, trabalhando geralmente das 13h às 23h, e pago aproximadamente R$ 1 mil por semana às pessoas para quem fiquei devendo. Já estou nessa rotina há cerca de seis meses, tentando reconstruir minha vida com trabalho e dignidade.”
Quando Ailton percebeu que havia perdido tudo, tomou algumas decisões para tentar se livrar da dependência dos jogos.
“Fiz a autoexclusão das plataformas de apostas e também utilizei a ferramenta de autoexclusão disponibilizada pelo Governo Federal. Procurei ocupar minha mente e comecei a vender doces nas ruas e a fazer lives. Também procurei tratamento. No começo, fazia consultas on-line com um psicólogo a cada três dias. Logo depois de perder tudo, procurei um psiquiatra, que me prescreveu uma medicação que me ajudou bastante, principalmente a regular o sono.”
Hoje, Ailton faz lives para contar sua história, incentivar outras pessoas a buscar ajuda e tentar ajudar aqueles que ainda enfrentam a dependência dos jogos.
“A ideia de começar as lives surgiu justamente porque eu não queria que outras pessoas passassem pela mesma dor, culpa e vergonha que eu estava sentindo. Foi assim que comecei a perceber que existem muitas pessoas sofrendo em silêncio. Hoje, quando conto minha história, meu objetivo é justamente mostrar que pedir ajuda e falar sobre o problema pode ser o começo de uma mudança.”
Uma outra jogadora relatou que passou anos apostando e, quando se deu conta da situação, não acreditava que um jogo que parecia tão simples pudesse ter causado tantos problemas em sua vida.
“Quando me dei conta do que eu tinha feito, na minha cabeça, a única saída era o suicídio. Não tinha coragem de pedir ajuda e me envergonhava de tudo o que estava acontecendo. Um jogo tão simples causou tudo o que me causou. Foram três anos jogando, mas, em 2025, quando tive acesso a uma quantia bem alta de dinheiro, o vício se intensificou. Eu não fazia mais nada além de jogar o dia todo. Estava sempre com o celular nas mãos.”
Conversa 1 especial bets - Reprodução
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Ainda segundo ela, só conseguiu parar de jogar quando o dinheiro acabou.
“No total, perdi mais de R$ 150 mil. Fiz empréstimos e o caso mais grave foi usar o dinheiro de uma comunidade pela qual eu era responsável. Eu só parei porque o dinheiro havia acabado e eu não tinha mais recursos. Se não fosse isso, o vício teria ido muito além.”
Fernando Galvão, ex-apostador, afirmou que demorou para perceber que estava dependente das apostas.
“Era uma situação que não passava pela minha cabeça. Comecei a apostar no final de 2020 e só percebi que tinha um vício no final de 2022. O grande problema das apostas é que quem divulga esse tipo de jogo fala: ‘Basta você ter controle’. Aí você pensa: ‘Estou perdendo aqui não por um problema, mas porque sou ganancioso’. Demorou para eu perceber que essa falta de controle não era uma questão de caráter ou discernimento, mas sim de saúde mental.”
Ele também estima ter perdido mais de R$ 1 milhão durante esse período e relembra o momento em que percebeu que precisava parar de apostar.
“Quando comecei, apostava esporadicamente. Às vezes, apostava a cada 15 dias, também por influência de amigos. No primeiro ano, foi assim. Mas comecei a ter perdas grandes, a me complicar financeiramente e percebi que aquilo estava me prejudicando e que eu precisava parar.”
Fernando também ressalta que, quando as contas começaram a se acumular, percebeu que precisava parar de apostar, mas não conseguia.
“Você percebe que aquilo está te prejudicando, mas vem aquela vontade de jogar. Aí você pensa: ‘Vou tentar recuperar, vou tentar ganhar o dinheiro dessa conta’, e você vai perdendo. Em 2022, vi que estava viciado, estava em depressão e percebi que estava doente. Mas, como não era um assunto tão discutido como hoje e não havia tanta ajuda, a situação foi se agravando até eu conseguir me libertar dessa dependência, em 2024.”
Para Ronaldo Menezes, o jogo surgiu, além da diversão, também como uma possibilidade de ganhar dinheiro.
“No começo, eu enxergava como diversão e uma possibilidade de ganhar dinheiro, mas, com o tempo, a lógica mudou. Já não jogava para me divertir, mas para recuperar o dinheiro que tinha perdido. Passei a pensar em apostas mesmo quando não estava jogando, esconder o que fazia e comprometer dinheiro que deveria ser usado para outras coisas.”
Ainda segundo Ronaldo, ele estima ter perdido cerca de R$ 500 mil ao longo dos anos.
“Vendi bens materiais, como carro e casa, usei recursos que deveria ter destinado a outras áreas da minha vida e também cheguei ao ponto de fazer empréstimos no nome de familiares e amigos. Quanto mais eu perdia, mais eu acreditava que precisava conseguir dinheiro para recuperar aquilo que já tinha perdido.”
Segundo ele, a dependência dos jogos afetou todas as áreas de sua vida.
“Minha família sofreu muito com isso. Eu perdi momentos importantes com a minha filha. Houve momentos em que eu dizia que não tinha dinheiro para determinadas coisas, mas encontrava dinheiro para apostar. Também perdi confiança, tranquilidade e estabilidade financeira.”
Ele parou de apostar quando, segundo ele, percebeu que não estava tentando ganhar dinheiro, mas sobrevivendo às consequências das apostas.
“Foi aí que entendi que precisava parar de confiar apenas na minha força de vontade e criar barreiras contra o jogo. Bloqueei as plataformas, fiz a autoexclusão, saí de grupos e deixei de acompanhar conteúdos sobre apostas. Principalmente, admiti que precisava de ajuda. Minha fé também teve um papel fundamental. Hoje, carrego a consciência das consequências e sei que preciso continuar vigilante.”
Ajuda para quem sofre com a dependência
O iG entrou em contato com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), que oferece tratamento para pessoas com transtorno do jogo e seus familiares por meio do Programa Ambulatorial do Jogo (PRO-AMJO).

Segundo a psicóloga voluntária e supervisora do programa, Mirella Mariani, todos os profissionais envolvidos no tratamento são voluntários e os atendimentos são realizados às quintas-feiras, no período da tarde.

“O paciente que buscar tratamento pode fazê-lo pelo contato direto com a secretaria, pelo site da Associação Viver Bem, por encaminhamento interno do Hospital das Clínicas da FMUSP ou de outra unidade de saúde.”

Após o primeiro contato, a secretaria do PRO-AMJO realiza uma pré-triagem por telefone, que deve ser feita diretamente com o paciente. O programa atende pessoas com 18 anos ou que completarão a maioridade nos quatro meses seguintes.

A triagem avalia as condições de saúde e as necessidades de cada paciente para definir o encaminhamento mais adequado. O processo pode incluir avaliação neuropsicológica, consulta com psiquiatra e atendimento psicológico.

“Um dos principais objetivos da triagem é identificar as necessidades de saúde do paciente e oferecer o encaminhamento adequado, mesmo que seja necessário buscar atendimento com outros profissionais ou serviços.”

Na avaliação psiquiátrica, são analisadas a gravidade do comportamento de apostar e possíveis transtornos associados. Depois, o paciente participa de três sessões de entrevista motivacional, que buscam avaliar sua disposição para a mudança e estabelecer metas para o tratamento.

Ao final dessa etapa, o paciente é encaminhado para um dos modelos de psicoterapia oferecidos pelo programa.
Sobre o número de atendimentos realizados no último ano, a psicóloga Mirella Mariani explica que é difícil precisar a quantidade de atendimentos realizados em 2025 e 2026. Segundo ela, isso ocorre não pela ausência de registros nos sistemas mencionados anteriormente, mas pela variedade de serviços pelos quais o paciente pode passar enquanto está vinculado ao PRO-AMJO.

“Em 2025, tivemos o ingresso de cerca de 300 pacientes e, até junho de 2026, foram cerca de 250. Na última quinta-feira, por exemplo, a equipe atendeu, em conjunto, 45 casos, individualmente ou em grupo de apostadores. Se considerarmos uma média de 180 atendimentos por mês, estimamos que tenham sido realizados cerca de 1.080 atendimentos no primeiro semestre de 2026.”

Quando o jogo vira problema
A psicóloga Mirella Mariani também destaca alguns dos primeiros sinais que podem indicar problemas relacionados ao comportamento de apostar. Entre eles estão:
Perda de controle, percebida pelo gasto de tempo e dinheiro acima do planejado e pelas tentativas frustradas de reduzir ou controlar as apostas;
Sinais semelhantes à tolerância e à abstinência. Como as apostas são uma atividade estimulante do sistema nervoso central, o comportamento recorrente pode levar a sensações de inquietação, angústia e dificuldade de concentração quando a pessoa é impedida de apostar;
Consequências negativas, como endividamento, conflitos familiares, desemprego ou dificuldades acadêmicas, envolvimento em atividades ilegais e tentativas de suicídio.
Segundo Mirella, o DSM-5-TR, manual de referência para diagnósticos psiquiátricos, estabelece critérios para identificar o transtorno do jogo. A presença de quatro ou mais critérios em um período de 12 meses pode indicar o transtorno. Entre os critérios estão:
Necessidade de apostar quantias cada vez maiores para obter a excitação desejada;
Ficar agitado ou irritado ao tentar diminuir ou interromper as apostas;
Fazer repetidas tentativas, sem sucesso, de controlar, reduzir ou parar de apostar;
Ficar frequentemente preocupado com o jogo, pensando em experiências anteriores, próximas apostas ou maneiras de conseguir dinheiro para jogar;
Recorrer às apostas quando está angustiado, por exemplo, sentindo-se impotente, culpado, ansioso ou deprimido;
Voltar a apostar após perder dinheiro, na tentativa de recuperar o prejuízo;
Mentir para esconder a dimensão do envolvimento com os jogos de azar;
Colocar em risco ou perder relacionamentos, emprego ou oportunidades de estudo ou carreira por causa das apostas;
Depender de outras pessoas para conseguir dinheiro e aliviar situações financeiras causadas pelo jogo.
Panorama atual
O III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), também analisou o comportamento dos brasileiros em relação aos jogos de azar.
A pesquisa ouviu 16.608 brasileiros com 14 anos ou mais, incluindo uma subamostra de 4.914 pessoas que apostam. Entre os principais resultados:
25,9% dos brasileiros já apostaram alguma vez na vida;
17,6% apostaram nos últimos 12 meses, o equivalente a mais de 28 milhões de pessoas;
As modalidades mais populares foram loterias (71,3%), bets (32,1%) e jogo do bicho (28,9%);
64,8% dos apostadores são homens e 35,2% mulheres, com predominância entre pessoas de 25 a 49 anos (50,6%);
Entre adolescentes de 14 a 17 anos, 10,5% apostaram no último ano, cerca de 1,4 milhão de jovens.
O levantamento utilizou a escala internacional PGSI (Problem Gambling Severity Index) para avaliar o nível de risco entre os apostadores. Os dados apontam que 7,3% da população apresenta comportamento de risco ou problemático, o equivalente a cerca de 10,9 milhões de brasileiros. Já 0,8% apresentam critérios compatíveis com um diagnóstico clínico, aproximadamente 1,4 milhão de pessoas.
Entre os apostadores, os sinais mais frequentes foram tentativas de recuperar perdas, gastos acima do planejado, sentimento de culpa e impactos na vida familiar e social.
O risco também varia de acordo com a renda. Entre pessoas que recebem menos de um salário mínimo, 52,8% apresentam comportamento de risco ou problemático, contra 31,2% entre aqueles com renda de um a dois salários e 21,1% entre os que recebem mais de dois salários mínimos.
Regionalmente, o Nordeste apresentou a maior proporção de apostadores em situação de risco ou com comportamento problemático (52,3%), enquanto o Sul registrou o menor índice (28%).
Impacto financeiro
O levantamento também apontou consequências financeiras relacionadas às apostas. Entre os jogadores que apostaram no último ano, 7,3% disseram pedir dinheiro emprestado ou vender algum bem para continuar apostando na maioria das vezes ou quase sempre. Outros 2,6% relataram problemas financeiros decorrentes das apostas com a mesma frequência.
Durante a pandemia, a maior parte dos apostadores (70%) afirmou que os gastos com jogos não mudaram. 15,7% pararam de gastar, 9,8% reduziram os gastos e 2,6% aumentaram.
Número de reclamações dispara
A reportagem também entrou em contato com o Procon para saber se os consumidores tinham reclamações contra as casas de apostas. Segundo dados fornecidos pelo órgão, entre 2024 e 2025, o número de reclamações registradas por consumidores contra as bets em todo o estado de São Paulo aumentou cerca de 442%.
Em 2024, foram registradas 454 reclamações. Já em 2025, esse número subiu para 2.011. Nos primeiros quatro meses deste ano, as reclamações já somam 1.301 registros, uma média de cerca de 325 reclamações por mês.
Ainda de acordo com o órgão, as principais reclamações são:
Bloqueio inesperado de contas após grandes ganhos;
Dificuldade para sacar valores ou retenção de saldo;
Demora ou negativa no pagamento de prêmios;
Regras pouco transparentes, como ofertas de bônus difíceis de compreender ou ocultas;
Atendimento ineficiente.