Segundo monitor da USP, ato de Flávio Bolsonaro reuniu cerca de 28,5 mil pessoas na Paulista, menos que em 2024 e 2025Reprodução / YouTube

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, disse que os eleitores que votam no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também votam no ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A declaração foi dada durante o ato de campanha de 7 de Setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo.
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Flávio atacou Lula e Moraes ao entoar, diversas vezes, os coros "Fora Lula" e "Fora Moraes", na esteira das revelações de mensagens do ministro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro - inelegível e em prisão domiciliar - prometeu o fim da polarização política a partir de janeiro.

Em tom de confronto, Flávio disse que o "consórcio" entre Lula e Moraes - ministro indicado pelo ex-presidente Michel Temer - "vai acabar" e acusou o presidente de usar nomeações para perseguir o bolsonarismo. "Lula indicou dois ministros do Supremo com a missão de perseguir Bolsonaro e seus aliados", afirmou no palanque.

O candidato ainda afirmou que, caso eleito, pretende fazer novas indicações ao STF e vinculou a promessa à saída de Moraes da Corte. "Vou indicar cinco ministros para o STF porque Alexandre de Moraes cairá", salientou.

Flávio também listou pautas que pretende defender nas nomeações e em um eventual governo: ministros contra às drogas, contrários à ideologia de gênero nas escolas, que respeitem a Constituição e não persigam adversários políticos. Disse ainda que vai trabalhar para "resgatar a credibilidade" do Judiciário e "proteger o STF do ministro Alexandre de Moraes".

Flávio expressou o desejo de vencer a eleição no primeiro turno e convocou apoiadores para garantir a vitória. No entanto, pesquisas de intenção de voto indicam que é praticamente certo um segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula (PT).
8 de janeiro foi 'farsa'
Flávio afirmou que eventuais tentativas de interferência no processo eleitoral não terão efeito e disse que seguirá na disputa "de peito aberto". 

"Vão tentar uma terceira facada - não apenas em mim, mas também em meus aliados", disse Flávio, ao mencionar riscos à sua segurança e alegar perseguição política.

No discurso, Flávio comparou sua imagem à de Bolsonaro. "Sei que vocês estão olhando para cá e enxergando outra pessoa parecida comigo: Jair Messias Bolsonaro". Disse ainda que a camisa que vestia era uma homenagem ao pai.

O candidato relembrou o atentado sofrido por Jair Bolsonaro em Juiz de Fora (MG), há oito anos. Flávio citou que, no ano seguinte, esteve com o então candidato na Santa Casa do município, enquanto apoiadores se mobilizavam nas ruas.

Flávio também afirmou que houve uma "segunda facada" com as condenações relacionadas ao 8 de janeiro, que classificou como "farsa". Ele disse que encara como missão a responsabilidade transmitida por Bolsonaro ao filho primogênito e declarou que faz campanha com colete à prova de balas.
Público
O ato reuniu cerca de 28,5 mil pessoas, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP), do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), e da organização More in Common. Com margem de erro de 12%, o levantamento indica que havia entre 25,1 mil e 32 mil participantes às 16h32, horário de pico da manifestação.

O público estimado foi 32,5% menor que o registrado no ato de 7 de Setembro de 2025, quando 42,2 mil pessoas estiveram no local. Em 2024, a manifestação reuniu 45,4 mil participantes. Já em 2022, foram contabilizadas 32,7 mil pessoas em São Paulo. Não houve protesto oficial em 2023.

Os pesquisadores fizeram registros do ato de Flávio em três horários: 15h15, 15h44 e 16h32. Para calcular o público no momento de maior concentração, foram selecionadas 12 fotografias tiradas às 16h32. Segundo as entidades, as imagens cobriram toda a extensão da manifestação sem sobreposição.

A contagem é feita a partir de fotografias aéreas analisadas por um software de inteligência artificial. O método, chamado Point to Point Network (P2PNet), identifica e marca automaticamente a cabeça de cada pessoa presente nas imagens.

A metodologia vem sendo utilizada desde agosto de 2022 para estimar o público de manifestações políticas. No 7 de Setembro de 2025, além das 42,2 mil pessoas na Paulista, o grupo calculou a presença de 42,7 mil participantes em Copacabana. Em 2022, o ato no Rio reuniu 64,6 mil pessoas.