Marco Buzzi foi acusado de tentar agarrar uma jovem de 18 e uma ex-funcionáriaSergio Amaral / STJ

A Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesta segunda-feira (21) que solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a perda definitiva do cargo do ministro Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, acusado de assédio sexual.
Leia mais: STJ rejeita pedido de adiamento e mantém julgamento de Marco Buzzi

Em agosto, o STJ decidiu condenar o ministro após julgar o processo disciplinar aberto para analisar as acusações.

Na petição apresentada ao STF, a AGU pede que o salário de Buzzi seja suspenso até o julgamento definitivo da ação. A medida representa a primeira ação para perda de cargo após o Supremo determinar o fim da aposentadoria compulsória como pena máxima aos magistrados condenados por faltas disciplinares graves, como venda de sentenças, assédio sexual, entre outras.

Buzzi foi acusado de tentar agarrar uma jovem, que é filha de um casal de amigos dele, durante um banho de mar. O episódio teria ocorrido em janeiro deste ano, quando o ministro, a jovem e seus pais passaram férias em Balneário Camboriú, litoral de Santa Catarina.

Após o caso vir à tona, uma ex-funcionária terceirizada do gabinete do ministro denunciou que também foi alvo de assédio sexual.

Desde o surgimento das acusações, a defesa sustenta que o ministro não cometeu qualquer ato impróprio.
Buzzi está afastado do cargo, mas ainda pode recorrer ao Supremo.

Quem é Marco Buzzi

Natural de Santa Catarina, Buzzi, foi indicado à Corte em 2011, pela então presidente Dilma Rousseff, para substituir o ministro Paulo Geraldo de Oliveira Medina, que se aposentou. No STJ, Buzzi compõe a 4ª Turma e atua como presidente da Comissão de Coordenação. Ele ingressou na magistratura em 1982 e tomou posse como desembargador em 2002.

A Polícia Federal encontrou indícios de envolvimento de familiares do ministro do STJ em um esquema de compra de decisões judiciais vinculado ao advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023. Durante a análise dos materiais apreendidos na investigação, a PF identificou a existência de minutas com decisões antecipadas de Buzzi e de outros três ministros do STJ.

A Polícia Federal identificou ainda que o escritório da filha de Buzzi, Carolina Buzzi, funcionava em um imóvel que pertencia a uma empresa investigada na operação. Na época, a advogada afirmou que pagava aluguel pelo uso do espaço e disse que os valores são compatíveis com os do mercado, mas não quis apresentar o contrato ou os comprovantes de pagamento. O ministro Marco Buzzi afirmou que não tinha "conhecimento das relações comerciais de sua filha".