Lula fez último ato da campanha à reeleição junto a aliados, na Avenida Paulista, em São PauloReprodução / Instagram

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a caminhada com integrantes de seu governo neste sábado (3) reuniu os responsáveis por prender o que chamou de "quadrilha da Previdência", que, segundo ele, teria sido criada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ato na Avenida Paulista, em São Paulo, encerra a agenda oficial de campanha de Lula antes do primeiro turno.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) e as candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) participaram da caminhada.

Na sequência, Lula afirmou que seus adversários "estão com medo porque a cada hora aparece uma coisa nova" envolvendo o caso Master, e acrescentou: "Só falta aparecer quem participou da orgia".
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O petista também voltou a enquadrar a disputa eleitoral como um confronto entre projetos. "De um lado tem a democracia e a soberania, do outro a barbárie", afirmou. Em outro momento, disse que "o povo brasileiro vai derrotar a extrema-direita, os fascistas" e declarou que "do outro lado tem um chefe de quadrilha".

Lula ainda afirmou que seus adversários "acabaram com tudo e nós reconstruímos" e prometeu fazer uma "revolução educacional e tecnológica" no País. Ao falar da mobilização na reta final, disse que "a Paulista não é da direita, é do povo brasileiro" e repetiu o apelo para que eleitores com mais de 70 anos compareçam às urnas neste domingo (4). 

Juros e cartões de crédito

Durante a caminhada, Lula voltou ao tema dos cartões de crédito e afirmou que os bancos não deveriam enviar cartões para clientes que não os solicitaram. O petista também criticou os juros cobrados nas operações.

"Os mentirosos ontem tentaram mentir a meu respeito. O que eu acho é que o cartão de crédito tem que ser distribuído com seriedade para quem pedir cartão de crédito. O banco não pode ficar enviando para a casa das pessoas sem as pessoas pedirem", afirmou Lula.

Na sequência, o presidente disse que "cartão de crédito é responsabilidade" e classificou os juros como "uma roubalheira". "O sistema financeiro quer ganhar dinheiro, ganha na produção, não extorquindo o povo brasileiro com taxa de juros impagáveis", declarou.

A fala ocorre após Lula ter sido criticado por uma declaração no Flow Podcast sobre a oferta de múltiplos cartões. Depois da repercussão, ele publicou nas redes sociais que cada cidadão pode ter "quantos cartões quiser" e que sua preocupação era com o endividamento, o envio de cartões sem solicitação e os juros cobrados pelas instituições financeiras.

No mesmo discurso deste sábado, Lula também voltou a criticar as casas de apostas. Disse que as bets "viraram uma doença para o povo brasileiro", afirmou que há pessoas contraindo dívidas que não conseguem pagar e declarou que seu governo tomou a decisão de proibir as apostas. O presidente citou ainda o projeto para fim da escala 6x1 e disse que investir no futuro passa por educação, ciência e tecnologia.

Ato na Paulista teve confusão

O último ato de campanha de Lula e Haddad teve um princípio de confusão na manhã deste sábado, na região da rua Augusta, após policiais militares pedirem a retirada de caminhões posicionados no local.

Pelo sistema de som, locutores do evento disseram que motoristas teriam sido ameaçados de prisão caso permanecessem nos veículos. Um deles reagiu à abordagem: "Se alguém se machucar hoje, a polícia será responsável. Não vai descer do carro."

O secretário nacional de Organização do PT, Laércio Ribeiro, afirmou que a campanha ajustou todos os detalhes com a prefeitura e com a polícia antes do ato e que é "surpreendente" a ação da PM. "Agora, de forma surpreendente, a polícia encosta aqui no caminhão ordenando que o motorista siga a caminhada sem a chegada do presidente da república, sem a chegada do Haddad, da Marina e da Tebet", questiona o secretário.

Laércio afirma ainda que o partido tem vídeo de um policial ameaçando o motorista de um dos caminhões de prisão, caso ele não deixasse o local. A reportagem acionou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. O espaço segue aberto.

O episódio ocorre após o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) autorizar a realização da caminhada na região. A decisão condicionou o ato à preservação do fluxo viário e ao cumprimento das orientações da PM e da CET.