Repórter da Rádio RCFM, Jaqueline DuarteReprodução
Repórter do RC é agredida pelo marido na frente dos filhos em Cabo Frio
Caso aconteceu no bairro Peró e terminou com a prisão em flagrante do agressor neste domingo (8). Fato reacende debate sobre violência doméstica
Cabo Frio - A violência doméstica, que tantas vezes acontece em silêncio, ganhou voz nesta segunda-feira (9) em Cabo Frio. A repórter da Rádio RCFM, Jaqueline Duarte, foi agredida pelo marido dentro de casa, no bairro Peró, diante dos próprios filhos, no domingo (8). O caso, que causou comoção entre colegas de trabalho, ouvintes e moradores da cidade, terminou com a prisão em flagrante do agressor.
Segundo o relato feito pela própria vítima durante o programa Renata Cristiane Online, transmitido na manhã desta segunda-feira (9), agressão aconteceu no início da tarde, enquanto ela preparava o almoço para os filhos. O marido, Anderson Bustilho, servidor público municipal e ex-policial militar, teria chegado em casa embriagado e iniciado uma sequência de xingamentos e ofensas. Ao rebater as agressões verbais, Jaque foi atacada fisicamente.
Ela contou que o agressor usou uma porta sanfonada do banheiro para desferir golpes, atingindo a cabeça dela e outras partes do corpo, além de socos nos braços. O exame de corpo de delito confirmou as lesões. “Eu não estou forte, eu sou humana, mas estou firme”, disse a estagiária de jornalismo, emocionada.
A violência foi presenciada pelos filhos. O mais velho, de 16 anos, tentou proteger a mãe e impedir que as agressões continuassem. Já o filho mais novo, de oito anos, passou mal durante a confusão e teve uma crise de asma, precisando de atendimento. O agressor ainda destruiu os celulares das vítimas.
Ele, que atua na secretaria de Postura da cidade, foi preso em flagrante e enquadrado na Lei Maria da Penha. Jaque conseguiu a medida protetiva e passou a ser acompanhada pela rede de atendimento à mulher em situação de violência do município, incluindo o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM).
Durante o depoimento, a repórter revelou que vinha sofrendo há anos com violência psicológica, patrimonial e ofensas racistas, situações que, segundo ela, acabaram sendo normalizadas ao longo do relacionamento. “A violência não começa no tapa. Ela começa no grito, no controle, no medo”, afirmou.
Colegas de trabalho destacaram a importância de falar sobre o assunto e reforçaram que casos como esse podem acontecer em qualquer lugar, independentemente da imagem pública do agressor. “Não adianta ser gentil da porta para fora e violento dentro de casa”, foi uma das reflexões feitas durante o programa.
O caso reacende o alerta sobre a violência contra a mulher e a necessidade de apoio contínuo às vítimas. Dados mostram que muitas mulheres vivem situações semelhantes e demoram a perceber que estão sendo violentadas, especialmente quando a agressão não é inicialmente física.
Mulheres em situação de violência podem buscar ajuda pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia, ou acionar a polícia pelo 190 em casos de emergência.
Confira o relato na íntegra:

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