Maqueta da ruína da Igreja de São José da Boa Morte, em Cachoeiras de MacacuMarcel Barreto

Uma pesquisa realizada durante o processo de conservação das Ruínas da Igreja de São José da Boa Morte, em Cachoeiras de Macacu, será apresentada no dia 29 de setembro, às 14h, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), no Rio de Janeiro. O encontro “O passado no presente do Recôncavo da Guanabara” reunirá pesquisadores e gestores para discutir arqueologia e preservação na região. A entrada é gratuita.
O estudo combinou pesquisa documental e análise dos vestígios da antiga igreja, com a catalogação de cerca de 200 itens, que ajudaram a identificar materiais construtivos, etapas da construção, usos do espaço e aspectos da vida da comunidade.
Construída a partir de 1734, em pau a pique, a Igreja de São José da Boa Morte foi utilizada para batismos, casamentos e sepultamentos. Ligada à antiga freguesia de Santo Antônio de Sá, a construção também teve importância na organização social e religiosa da comunidade. O conjunto é tombado pelo Inepac desde 1989.
Além de ampliar o conhecimento sobre a formação histórica de Cachoeiras de Macacu, a pesquisa pode contribuir para ações de educação patrimonial, preservação, cultura e turismo histórico, valorizando as ruínas e aproximando moradores e visitantes da história local.
“É muito importante poder apresentar essa pesquisa em uma instituição tão relevante como o IHGB. É uma parceria que vem de longa data e que só fortalece as ações em prol da divulgação acadêmica”, afirma a historiadora Rachel Wider, da Elysium Sociedade Cultural.
O trabalho também investigou mudanças nas crenças e práticas funerárias brasileiras ao longo do século 19 e sua relação com a trajetória da igreja. A pesquisa foi selecionada para o 10º Colóquio Internacional de História, Arquitetura, Escultura, Urbanismo e Costumes Funerários, realizado pelo INAH, no México, onde foi apresentada no início de setembro.
Para o engenheiro Wolney Unes, diretor técnico da Elysium Sociedade Cultural, a preservação permitiu identificar aspectos que vão além da estrutura física das ruínas, incluindo ocupação fundiária, práticas de sepultamento e religiosidade da região.
Cachoeiras de Macacu em destaque
A pesquisa será apresentada ao lado de trabalhos sobre o Sambaqui do São Bento, em Duque de Caxias, e a Vila de Iguassú, em Nova Iguaçu. Os estudos abordam diferentes períodos da formação do Recôncavo da Guanabara.
A participação de Cachoeiras de Macacu amplia a divulgação de seu patrimônio histórico e insere as Ruínas da Igreja de São José da Boa Morte em um debate regional sobre arqueologia, preservação e memória, fortalecendo o reconhecimento do município dentro desse contexto histórico.
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