A Secretaria de Saúde intensifica alerta contra o tabagismo e cigarros eletrônicos e aponta programa para tratamento Foto César Ferreira/Divulgação

Campos – “O tabagismo é uma doença e uma dependência muito difícil de superar, devido às mais de 4.600 substâncias presentes no cigarro”, alerta a cirurgiã dentista da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Campos dos Goytacazes (RJ), Verônica Gama. Ela destaca que o uso do cigarro é fator de risco para muitas patologias crônicas não transmissíveis.
Quem fuma corre risco de obter problemas cardiovasculares; Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC); quadros de enfisema pulmonar; bronquite crônica; e até cânceres, dentre eles o de pulmão e boca. Por meio do Programa de Controle do Tabagismo, a secretaria busca contribuir para queda de índice no município.
“O tratamento inclui grupos de apoio semanais e, se necessário, adesivos de nicotina ou medicamentos”, explica Verônica. Ela lembra que o Dia Nacional de Enfrentamento ao Fumo, nesta sexta-feira (29), foi criado com o intuito de alertar sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo.
“O acolhimento e a empatia com os pacientes são cruciais para o sucesso, especialmente considerando o aumento da ansiedade e o retorno ao fumo após a pandemia de Covid-19”, assinala a especialista realçando que o programa oferece um ambiente de apoio, onde recaídas são compreendidas e o tratamento pode ser reiniciado sem julgamento.
Verônica enfatiza destaca benefícios em abandonar o vício e os malefícios do cigarro: “Em 20 minutos após parar de fumar, a pressão e a pulsação voltam ao normal. Em oito horas, o nível de oxigênio se normaliza. Em 48 horas, o paladar e o olfato melhoram. Além dos carcinomas de pulmão e boca, o cigarro está ligado a diversos tipos de câncer”.
ELETRÔNICOS - A dentista orienta quem notar qualquer lesão na boca a procurar um profissional: “A saúde começa pela boca e muitas doenças podem se manifestar ali”, resume apontando também para os riscos do consumo dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), conhecidos como vapes, que, segundo ela: “São tão prejudiciais como os convencionais”.
“É importante desmistificar a ideia de que o vape não contém nicotina, pois o mesmo possui nicotina e outros componentes prejudiciais à saúde, semelhantes aos do cigarro, e até mais”, defende Verônica ratificando que o vape mata, causa dependência rápida e é muito difícil se livrar dela.
Enfermeiro do programa, Emmanuel Bittencourt Wanderley reforça que os riscos à saúde associados aos cigarros eletrônicos são maiores devido à quantidade de tragadas em cada uso: “Os níveis de toxicidade desses aparelhos são bem altos, apesar de não haver combustão, alcatrão ou monóxido de carbono””.
PROCEDIMENTOS - Emanuel aponta que há liberação de muitas substâncias químicas e altas concentrações de nicotina, levando a uma maior dependência: “Além disso, diversos estudos já comprovaram que os cigarros eletrônicos podem causar lesões pulmonares conhecidas como EVALI (E-cigarette or Vaping use-Associated Lung Injury), por exemplo”.
No Programa de Controle do Tabagismo oss pacientes passam por triagem, sessões estruturais de Abordagem Cognitiva Comportamental (ACC), palestras informativas, cartilhas educativas. Há ainda acompanhamento médico para controle de ansiedade e suporte medicamentoso, como os adesivos anti-tabagismo, goma de nicotina e os medicamentos orais.
Atualmente o programa conta com 1.050 inscritos; mais de mil pacientes estão em alta e a expectativa da Secretaria de Saúde é de que o resultado seja ainda mais positivo. A inscrição é feita na própria sede do programa, localizada na Rua Gil de Góis, 132, ao lado do Centro de Referência e Tratamento à Mulher. Para mais informações o telefone para contato é o (22) 98173-0462.