Espetáculo visa valorizar a diversidade de corpos, culturas e narrativas que também compõem o universo da dança Foto Divulgação
Poder da dança em aproximar pessoas será demonstrado no teatro do Sesc
Comportamento é resumido em "Gbin", espetáculo que se propõe estimular o interesse de diferentes pessoas pela arte
Campos – O poder da dança em aproximar e valorizar matrizes de movimento afro-indígenas na contemporaneidade é resumido em “Gbin”, criado recentemente pela Cia Xirê, companhia de dança que se propõe à pesquisa da construção cênica através do movimento. O espetáculo estará em cartaz domingo (3), em Campos dos Goytacazes (RJ), no teatro do Serviço Social do Comércio (Sesc), com início às 16 horas .
A direção é de Andrea Elias, com programações também para Niterói, Nova Friburgo, Barra Mansa, Rio de Janeiro e Nova Iguaçu no mês de maio. Ela diz que a proposta é semear novos olhares, estimulando o contato com corpos e movimentos que brotam de referências estéticas pouco presentes nas cenas massivas de dança.
“São gestos, ritmos e presenças que escapam dos padrões mais difundidos nos palcos e também nas mídias virtuais, televisivas e cinematográficas”, relata a produtora realçando que, ao trazer essa perspectiva, a obra amplia o repertório sensível do público e convida especialmente as crianças a reconhecerem outras formas de expressão corporal, valorizando a diversidade de corpos, culturas e narrativas que também compõem o universo da dança.
Andrea observa que a dança pode aproximar muito mais do que se possa imaginar: “Promove a redução das desigualdades a partir do encontro, em dança, dos olhares de crianças com corpos fenotipicamente e culturalmente afro indígenas, bem como às qualidades de movimento que brotam desses corpos”.
DEMOCRATIZAÇÃO - A diretora ratifica que ‘Gbin’ nasce do desejo de aproximar corpos em suas diversidades num momento no qual estes são convocados a se manterem à distância: “Essa aproximação fala não apenas da fisicalidade, mas também da diversidade cultural e subjetiva, da convicção no poder que tem a dança de conectar corpos em suas diferenças e afirmar suas potências”.
Outro ponto enfatizado é que, ao ser criado para crianças, a peça transita por questões centrais da linguagem da dança contemporânea em direção à recepção do público infanto-juvenil, investigando o que é próprio da linguagem na relação com este olhar lúdico da infância: “A Cia Xirê, há mais de 20 anos, tem exercido um importante papel na democratização da dança contemporânea”, assinala Andrea.
“Nosso compromisso vai além de colocar um espetáculo em cena”, pontua acentuando: “A gente busca, de forma contínua, criar caminhos reais de aproximação entre a dança contemporânea e o público, especialmente aqueles que ainda estão em processo de formação e descoberta. Democratizar o acesso é entender que nem todos se sentem pertencentes a esses espaços”.

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