O Parque Estadual da Lagoa do Açu é uma unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente Foto Divulgação
Parque Estadual da Lagoa do Açu atrai cientistas, através de céu estrelado
Especialistas participaram de observação noturna na unidade de conservação e visualizaram as constelações de Óriun e Escorpião
Campos – A localização geográfica do Parque Estadual da Lagoa do Açu, unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em Campos dos Goytacazes (RJ), chama a atenção de cientistas internacionais. A motivação é o grande potencial apresentado, para ser certificado como um Dark Sky Park (local de observação de céu escuro).
O parque está localizado na Praia do Farolzinho (área do Farol de São Tomé), onde, segundo o gestor, da reserva, Samir Mansur , é proibido o excesso de luz artificial: “Seguindo a Portaria nº 11/1995 , do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), o parque prevê um regramento rigoroso sobre a adequação da iluminação pública dentro de seus limites”.
Mansur observa que a região é ponto de desova das tartarugas marinhas e a pouca luminosidade favorece um espetáculo da natureza: “Com uma iluminação menos poluente, é possível observar planetas, constelações e estrelas, e com isso, pleitear a certificação junto a Dark Sky International,
O gestor enfatiza que o parque proporciona aos observadores noturnos uma ampla visão do horizonte: “Contribui, por exemplo, para a visualização simultânea das constelações Óriun e Escorpião, uma condição rara, pois esses conjuntos estelares estão localizados em lados opostos no ambiente celeste”.
Trata-se de uma região onde a escuridão natural da noite contribui para a visualização das estrelas e planetas. Dia 25 de abril, o local recebeu a visita dos cientistas Scott Roberts, fundador e presidente da Explore Scientific; Fernando Fabbiani, da DarkSky Uruguai; e do físico brasileiro e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), Marcelo de Oliveira Souza.
CONSTELAÇÕES - “A equipe participou de uma observação noturna na praia do Farolzinho, um atrativo da unidade de conservação, que desenvolveu uma rota mais curta para chegar ao Planeta Marte”, destaca Mansur. Fabbiani comenta que teve a oportunidade de visitar recentemente o parque, em sua segunda visita em dois anos consecutivos.
“Fiquei muito impressionado com a qualidade do céu noturno”, frisa o representante da DarkSky destacando: “Trata-se de uma região que ainda mantém baixos níveis de poluição luminosa, permitindo a observação de um céu estrelado de alto valor científico, educativo e turístico”.
O especialista realça que em ambientes costeiros como este, a preservação da escuridão natural da noite é também uma questão ambiental relevante, já que a luz artificial pode impactar significativamente a fauna e os ciclos ecológicos: “O parque apresenta um potencial muito interessante para iniciativas de proteção do céu noturno e para uma certificação internacional como Dark Sky Park”.
O Inea assinala que a constelação de Órion é uma das mais conhecidas e é isível em ambos os hemisférios, servindo como como guia de navegação e referência cultural em diversas mitologias. Já a de Escorpião (Scorpius) é uma das 88 constelações catalogadas, figurando como uma das mais antigas e distintas do zodíaco.

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