O trecho da BR-101 no norte fluminense é considerado um conector de importantes cadeias produtivas Foto Firjan/Divulgação

Campos/Região - A necessidade de antecipação de obras que preveem melhorias na rodovia BR-101, no norte fluminense, está sendo reiterada pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), junto à Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) e a concessionária que administra a BR-101, Arteris Fluminense, entre Niterói e Campos dos Goytacazes, na divisa com o Espírito Santo.
Em março, representantes da Firjan entregaram uma carta à ANTT solicitando reconfiguração do cronograma, com a antecipação de obras importantes para o perímetro urbano de Campos. No dia 13 de maio, a Arteris oficializou o início de uma nova etapa de investimentos nos 322 quilômetros da rodovia.
Nessa quinta-feira (21), o presidente da Firjan Leste Fluminense, Ricardo Guadagnin, e o coordenador da Comissão Empresarial da federação em Macaé, João Carlos (que representou a Firjan Norte Fluminense), reforçou a articulação durante reunião na estrutura operacional da Arteris, no município de Tanguá, na região metropolitana.
Também estavam presentes o subsecretário de mobilidade de Campos, Sérgio Mansur, e representantes de prefeituras de municípios da região. João Carlos destacou que a rodovia importante para o desenvolvimento regional: “A BR-101 é o pilar da infraestrutura do Norte Fluminense. Priorizar as melhorias do trecho urbano é essencial para desviar o tráfego pesado de caminhões que atravessam Campos”.
O representante da Firjan Norte realçou que trata-se de um eixo estruturante para a competitividade do estado do Rio de Janeiro, especialmente no norte fluminense, onde conecta importantes cadeias produtivas, como a de óleo e gás na Bacia de Campos: “Aa BR-101 é importante acesso para a integração logística com o Espírito Santo e o escoamento da produção industrial por meio do Porto do Açu”.
Como exemplos, ele citou a cadeia de petróleo, gás natural, insumos agrícolas e produção de alimentos além de intensa movimentação do fluxo urbano do município. Sérgio Mansur reforçou, ratificando a necessidade de antecipação de obras na rodovia em Campos e detalhando os pontos alinhados com a ANTT em carta entregue pela federação e.
REIVINDICAÇÕES - Mansur enfatizou preocupação com as ações da Arteris em Campos, considerando que a rodovia corta o perímetro urbano do município. Entre as reivindicações apresentadas por ele, estão a abertura de multivias: “Entre os quilômetros 55/62,2 e 67/70 em substituição ao que está previsto, entre os 47 e 53, um trecho com baixo volume de trânsito e cujo investimento não se justifica nesse momento”.
A importância da continuidade do contrato de concessão foi externada por Ricardo Guadagnin, assinalando a relevância da rodovia para o eixo de ligação entre o sul e o norte do estado do Rio, especialmente para a área que abrange o leste fluminense, que possui grande concentração urbana. O presidente buscou esclarecimentos sobre as variantes que vão ocorrer no Trevo de Manilha.
Também entraram na pauta as obras do complexo Boaventura: “Certamente, elas vão impactar não só a ligação Itaboraí/Magé, mas também o trecho da BR-101, gerando impactos para todos os usuários”, comentou Guadagnin, solicitando ainda informações sobre o plano de trabalho, em conjunto com a Eco Rio Minas.
A pretensão do presidente, segundo alegou, é proporcionar maiores esclarecimentos à população sobre as medidas que serão adotadas. A ANTT já solicitou que a concessionária apresente na próxima reunião um detalhamento das obras que serão realizadas ao longo da rodovia, segundo o gerente de fiscalização de infraestrutura e operação rodoviária da agência, Matheus Herrero Rodero.
FOCOS PRINCIPAIS - De acordo com o gerente, o novo modelo contratual tem vigência de 22 anos e prevê melhorias, com foco na ampliação da capacidade da rodovia e na elevação dos níveis de segurança viária. O plano de execução de obras foi resumido pelo diretor-superintendente da Arteris, Helvécio Tamm de Lima Filho: “As melhorias previstas visam reduzir pontos críticos, aumentar a capacidade de circulação e proporcionar mais previsibilidade para usuários, transportadores e para toda a cadeia logística que depende da BR-101/RJ”.
Tamm frisou que grande parte das demandas relacionadas ao município de Campos já constam no contrato e solicitou que novas demandas, como instalação de semáforos em frente ao Instituto Federal Fluminense (IFF). Quanto às passarelas em trechos urbanos, ele sugeriu que sejam formalizadas junto à concessionária para que sejam avaliadas.
O diretor da Arteris pontuou que o novo ciclo de investimentos da concessionária prevê R$ 6,2 bilhões em obras e melhorias, com foco na ampliação da capacidade da rodovia e na elevação dos níveis de segurança viária: “As intervenções incluem duplicações, implantação de faixas adicionais e vias marginais, além da construção de novos dispositivos de acesso, passarelas, pontos de parada de ônibus e um Ponto de Parada e Descanso para caminhoneiros (PPD)”.
Na avaliação de Tamm, o início das obras representa um marco para a concessão: “Estamos iniciando uma fase decisiva para a evolução da BR-101/RJ, com investimentos que vão ampliar a segurança viária, reduzir conflitos de tráfego e melhorar significativamente a experiência dos usuários. É um projeto estruturante para o estado e para o desenvolvimento da região”.