Nildo Cardoso explica que CPI foi impulsionada após a morte de dois homens eletrocutados em maio de2025 por cabos rompidos Foto Gomes/Divulgação

Campos - Falhas operacionais e de infraestrutura, com oscilações e picos de energia recorrentes; demora em resolver problemas corriqueiros (como galhos tocando a fiação ou fiação partida; erros de leitura no medidor de luz e faturamento por estimativa. Estas são algumas reclamações que fazem da Enel Distribuidora Rio líder em pontos negativos junto ao órgão de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Campos dos Goytacazes (RJ).
Segundo o secretário executivo de Procon, Carlos Fernando Monteiro, cobranças decorrentes de supostas irregularidades de medição (os chamados Termos de Ocorrência de Inspeção - TOI) aplicadas sem a devida comprovação prévia também contribuíram para a colocação principal da empresa no ranking de reclamações.
“Devido ao volume massivo de processos abertos e ao descumprimento de determinações, o setor jurídico do Procon de Campos já chegou a aplicar quase R$ 10 milhões em multas acumuladas contra a concessionária em 2025”, aponta Monteiro ressaltando que embora houvesse queda nas reclamações, a empresa continua liderando.
O diretor do Procon realça que a Enel é classificada como uma das "campeãs de queixas" da cidade: “A gravidade da situação se estende à baixa resolutividade, já que a distribuidora não resolve nem 10% das reclamações que chegam ao balcão de atendimento local. O assunto é pauta da Câmara Municipal, que no ano passado criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as irregularidades.
O ex-presidente da CPI, vereador Nildo Cardoso, afirma que a comissão encerrou seus trabalhos em julho de 2025, entregando um relatório contundente a órgãos de controle após apurar graves falhas operacionais, picos de energia e mortes por eletrocussão na rede elétrica do município. No entanto não se tem conhecimento das providências adotadas pela empresa.
RELATÓRIO ENCAMINHADO - “A CPI foi impulsionada pela revolta popular após a morte de dois homens (Carlos Eduardo Ribeiro e Rodrigo da Silva Rodrigues) eletrocutados por cabos rompidos no Parque Boa Vista/Bela Vista, em maio de 2025”, pontua Cardoso lembrando que, durante cerca de quatro meses, o colegiado ouviu mais de 30 depoimentos.
“O documento apontou prazos abusivos para religação, deficiências crônicas no atendimento, falta de transparência nas cobranças e descumprimento de notificações do Procon”, frisa o vereador acentuando que foi constatada forte incidência de queixas sobre oscilações de energia danificando eletrodomésticos e negligência na manutenção preventiva da rede.
“O relatório final foi remetido a órgãos fiscalizadores e de justiça, como o Ministério Público, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Procon e a Câmara dos Deputados, para exigência de sanções civis e administrativas”, assinala Cardoso adiantando que a direção da concessionária será questionada quanto ao cumprimento das medidas.
Entre as propostas do Legislativo foram exigidas melhorias drásticas na poda de árvores, substituição de postes e cabos desgastados, além da abertura de um escritório central mais estruturado de atendimento presencial no município. “São muitos os motivos que geram a insatisfação da população. A concessionária nos deve explicações”, conclui o vereador.
ENEL SE EXPLICA - Por meio de nota, a Enel Rio informa que o número de manifestações de clientes encaminhadas pelo Procon de Campos apresentou uma redução de 17%, de janeiro a julho deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado, ressaltando que mantém um canal exclusivo dedicado à recepção, tratativas e encaminhamento de demandas recebidas pelos órgãos de defesa do consumidor.
A empresa diz que desde 2024, mais de mil eletricistas foram contratados: “Em 2025, a Enel Rio investiu R$ 1,8 bilhão na modernização da rede elétrica e somente no primeiro semestre de 2026, foram destinados R$ 880 milhões na infraestrutura elétrica do estado do Rio de Janeiro, 34% a mais em comparação ao mesmo período do ano anterior”.
Em outro treco, a companhia afirma que vem fortalecendo o relacionamento com os clientes por meio da ampliação e modernização do número de lojas, da ampliação dos canais digitais de atendimento e da implantação de 19 novas bases operacionais até o fim deste ano, ampliando a capacidade de resposta às ocorrências e a agilidade no atendimento.
Sobre as interrupções de energia, o texto traz que “entre junho de 2024 e junho de 2026, a duração foi reduzida em 18%, enquanto a frequência média das interrupções (FEC) caiu 9%. De junho de 2025 a maio de 2026, a Enel Rio registrou Tempo Médio de Atendimento (TMA) de 403 minutos, desempenho superior à média nacional das distribuidoras, de 433 minutos”.