A partir de 2021 o hospital não mais acumula pacientes nos corredores, problema que até então vinha ocorrendo diariamente Foto Secom/Divulgação

Campos - “D definimos a não permanência de pacientes internados no Pronto Socorro, transformando as Enfermarias em Centros de Observação de Curta Permanência para diagnóstico e resolução destes para cirurgia, alta, internação ou transferência, objetivando trabalhar em capacidade operacional máxima, mas não capacidade operacional de emergência, o que representaria pacientes no corredor”.
A manifesta é do atual subsecretário de Saúde de Campos dos Goytacazes (RJ), Arthur Borges Martins de Souza, feita em agosto de 2021, à época superintendente do Hospital Ferreira Machado (HFM), para anunciar o fim das filas nos corredores do hospital, entre várias mudanças em protocolos de atendimento, regulação e internação de pacientes.
Cinco anos depois, o prefeito Frederico Paes anunciou, neste final de semana, que o problema não mais aconteceu neste período, avaliando como “um marco que resulta de uma ampla reestruturação dos fluxos de atendimento, da reorganização de setores estratégicos pela Prefeitura de Campos e da adesão ao projeto ‘Lean nas Emergências’, desenvolvido pelo Ministério da Saúde com apoio técnico do Hospital Sírio-Libanês”.
Paes lembrou que durante muitos anos, a superlotação levou à permanência de pacientes nos corredores da unidade, cenário que comprometia a dinâmica dos atendimentos e impactava tanto os profissionais quanto os usuários do hospital: “A implantação de novos processos e ferramentas de gestão permitiu melhorar a organização interna, otimizar os espaços e garantir mais agilidade e dignidade à assistência”.
O diretor do pronto-socorro e médico ortopedista, Fábio Macedo, ressaltou que o resultado também reflete os investimentos e as ações desenvolvidas pelo governo de Frederico Paes, que tem priorizado a modernização e a ampliação da rede municipal de saúde: “Durante muitos anos, tivemos corredores lotados de pacientes, o que era ruim tanto para quem trabalhava como para os usuários do hospital”.
Para o diretor, poder contar com um hospital sem pacientes internados nos corredores é uma grande vitória. “Diversos fatores contribuíram para a conquista, entre eles a implantação de novos fluxos de atendimento e o funcionamento do novo pronto-socorro que completará um ano, proporcionando uma melhor organização e dinâmica de trabalho dentro da unidade”.
PROJETO LEAN - Macedo observou que esse não é um resultado pontual: “O próprio período de cinco anos já deixa claro que é uma vitória construída ao longo do tempo. O Hospital Ferreira Machado está muito satisfeito com esse resultado e segue trabalhando para manter um atendimento cada vez mais organizado, qualificado e digno”.
Na avaliação do diretor, a participação do HFM no projeto ‘Lean nas Emergências’ foi um divisor de águas para a unidade: “A iniciativa buscou reduzir a superlotação nos serviços de urgência e emergência por meio da metodologia Lean, voltada à eliminação de desperdícios, à melhoria dos processos e ao uso mais eficiente dos recursos disponíveis”.
Um dos principais resultados da implantação do Lean apontado por Macedo foi a reformulação estrutural e funcional de setores estratégicos do hospital: “A antiga enfermaria do politrauma foi transformada na Unidade de Curta Permanência (UCP), onde o paciente pode permanecer por até 72 horas para uma avaliação médica mais aprofundada”.
Ele explicou que onde funcionava a enfermaria masculina passou a abrigar a Unidade de Decisão Médica, ambiente destinado à análise criteriosa dos casos, auxiliando na definição entre alta ou internação: “Já a enfermaria feminina foi transformada no ‘Boarding1, espaço destinado aos pacientes que aguardam a disponibilidade de leito após a decisão médica pela internação”.
FIM DO IMPROVISO - Segundo o diretor, a reorganização dos setores proporcionou mais fluidez ao atendimento, permitindo que os casos sejam avaliados com maior rapidez e segurança, com definição adequada entre internação, alta ou transferência: “Com isso, houve redução do tempo de espera e a eliminação do improviso nos corredores, situação que era comum há alguns anos”.
O superintendente do hospital, Guilherme Rangel, reforçou que todo o novo layout foi planejado a partir da ferramenta ‘espaguete’: “A análise permitiu reorganizar os ambientes de acordo com o fluxo real de atendimento, considerando a entrada do paciente, os setores pelos quais ele precisa passar e as possibilidades de saída do hospital de forma mais rápida e eficiente”.
Rangel assinalou que o hospital recebe um fluxo muito alto de pacientes, porque é referência em trauma para a região Norte Fluminense e para a BR-101. Muitas vezes, enfrentamos uma sobrecarga de atendimentos, mas, mesmo assim, com a otimização dos fluxos, conseguimos manter nossos corredores livres de pacientes”.