Milena volta a peidar na cara do Jonas no BBB 26, e episódio levanta questionamento sobre os limites do entretenimento na TV abertaFoto: reprodução BBB 26

Tem coisa que não cabe mais ser tratada como brincadeira. O que Milena voltou a fazer hoje no BBB 26, peidando na cara do Jonas, não tem graça, não tem leveza e muito menos deveria ser vendido como entretenimento. É uma cena constrangedora, humilhante e absolutamente desrespeitosa, ainda mais quando acontece diante das câmeras de um programa de TV aberta com a dimensão que o Big Brother Brasil tem.
Esta coluna não está falando de puritanismo, nem de falta de senso de humor. Está falando de limite. Existe uma diferença muito clara entre espontaneidade de reality show e humilhação gratuita. Quando uma participante repete esse tipo de atitude contra outro participante, o que está em jogo já não é só o excesso do confinamento, mas a forma como tudo isso acaba sendo tolerado e absorvido como se fosse apenas mais um momento curioso da casa.
E é justamente aí que entra a responsabilidade da Globo. Uma emissora desse tamanho sabe perfeitamente o peso do que exibe e também o impacto do que ajuda a normalizar. Reality show vive de conflito, exagero e desconforto, isso é óbvio. Mas uma coisa é o barraco, a discussão, o embate verbal. Outra, bem diferente, é transformar um gesto grosseiro e degradante em conteúdo recorrente, como se a humilhação também pudesse entrar no pacote do entretenimento sem maiores questionamentos.
Quando Milena volta a peidar na cara do Jonas e isso ganha espaço como mais uma cena do programa, a pergunta deixa de ser exagerada e passa a ser necessária: até quando a Globo vai achar que isso é normal? Porque uma coisa é repercussão. Outra é permissividade. E, neste caso, o que se viu mais uma vez foi constrangimento tratado como espetáculo.