Trevo do Índio, entrada da cidade de Campos: o tráfego pesado continuará circulando pela área urbanaCésar Ferreira
BR-101: nova concessão ignora Campos e posterga soluções urgentes
Nova concessão da rodovia, vencida mais uma vez pela Arteris, dificulta a realização de obras fundamentais, como o Contorno de Campos.
O fato está consumado: a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) concluiu, nesta terça-feira (11), a nova licitação da BR-101 no trecho entre a Ponte Rio-Niterói e a divisa dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A Arteris, única participante, foi a vencedora do novo contrato — que, embora preveja diversas obras, deixa de contemplar adequadamente o município de Campos dos Goytacazes, o Norte Fluminense e empreendimentos estratégicos, como o Porto do Açu.
O ponto crítico é conhecido. No contrato anterior, também sob gestão da Arteris, estava prevista a construção do Contorno de Campos – obra essencial para desviar o trânsito pesado da área urbana e garantir acesso adequado ao complexo portuário. Os anos se passaram, o tráfego aumentou e o Contorno jamais saiu do papel. Hoje, com o crescimento da cidade e a expansão do Porto do Açu, o trânsito da BR-101 no trecho urbano de Campos se tornou caótico, comprometendo a segurança da população e a conservação das vias. Estima-se que apenas em direção ao porto circulem, diariamente, cerca de 700 caminhões pelas ruas e avenidas do município — número que tende a dobrar nos próximos anos.
Na prática, o problema foi empurrado para o futuro. Pela nova concessão, o Contorno de Campos foi incluído no Programa de Exploração Rodoviária (PER), mas sua execução depende do chamado “gatilho volumétrico por trecho homogêneo”. Em outras palavras: a obra só será realizada quando o tráfego diário entre os quilômetros 46,7 e 57,5 atingir 22 mil veículos. Somente então o projeto poderá ser incorporado ao contrato, mediante deliberação da Diretoria Colegiada da ANTT por meio de um aditivo.
Além disso, o novo contrato ignora pontos críticos dentro da malha urbana, como o trecho entre o Trevo do Índio e a Ponte General Dutra, onde o fluxo local se mistura ao tráfego de longa distância. Ali, um simples acidente é suficiente para paralisar a cidade, provocando congestionamentos que impactam a economia e o cotidiano dos campistas.
Não faltou mobilização. Desde que tomou conhecimento do processo de relicitação, o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, enviou um ofício ao Ministério dos Transportes solicitando ajustes no cronograma de obras e participou de uma audiência com o ministro Renan Filho, que chegou a prometer atenção ao pleito do município. As reivindicações, até agora, não foram atendidas.
Com o processo de relicitação encerrado, resta à sociedade civil, ao poder público local e à bancada fluminense no Congresso manter a pressão política para corrigir as falhas do contrato. Campos dos Goytacazes, maior município do interior do estado, não pode continuar sendo um gargalo em uma rodovia que o próprio Ministério dos Transportes define como “a estrada da riqueza”.
Se a BR-101 é o eixo que integra o país de norte a sul, é urgente que ela também sirva como instrumento de desenvolvimento regional, com infraestrutura à altura do potencial econômico de Campos e do Norte Fluminense. A região não precisa de promessas condicionadas a gatilhos, mas de obras concretas que garantam mobilidade, segurança e progresso.



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