A recuperação de estradas vicinais é fundamental para a economia do estado do RioDivulgação/Prefeitura de Campos
O desafio das estradas rurais para quem produz no Rio de Janeiro
Estradas vicinais e pontes precárias dificultam o escoamento da produção e mostram a urgência de uma política permanente de manutenção no estado
Imagine um produtor rural acordando antes do sol nascer. A colheita está pronta. As caixas de hortaliças foram cuidadosamente separadas. O caminhão deveria chegar cedo para levar tudo ao mercado. Mas, durante a madrugada, a chuva abriu uma cratera na estrada. Mais adiante, uma ponte não suporta mais o tráfego. O caminhão não chega. E aquilo que levou meses para ser produzido pode perder-se em poucas horas.
Essa cena não é uma ficção; é uma realidade conhecida por muitos produtores do interior do estado do Rio de Janeiro. E revela um problema que costuma ser lembrado apenas quando as chuvas chegam: a precariedade das estradas vicinais e a falta de pontes em condições adequadas para garantir o trânsito e o escoamento da produção.
Não custa lembrar: estrada rural não é luxo, é infraestrutura econômica. O produtor pode ter terra fértil, tecnologia, assistência técnica, crédito e disposição para trabalhar. Mas, se não consegue tirar aquilo que produziu da propriedade, todo o esforço fica comprometido.
Um estudo da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Esalq/USP, mostra a dimensão do desafio. O Rio de Janeiro possui aproximadamente 33 mil quilômetros de estradas vicinais. Por suas características históricas e longas extensões de terra, o Norte Fluminense é a mais relevante do estado em termos de necessidade de investimentos nessa infraestrutura.
Embora não exista uma estimativa única de quanto o Rio perde em produção exclusivamente por causa das estradas ruins, há números que ajudam a dimensionar o problema. Em uma situação extrema, como as chuvas que atingiram a Região Serrana em 2011, levantamento do Ministério da Integração apontou R$ 90 milhões em perdas decorrentes da interrupção das atividades em sete municípios em estado de calamidade. O próprio relatório registrou perdas de produção provocadas pela dificuldade de escoamento após os danos ao sistema de transportes.
O Rio de Janeiro precisa de um programa contínuo de manutenção das estradas asfaltadas e das estradas vicinais, e não apenas de ações emergenciais para reconstruir o que se perde depois que a chuva destrói. Não basta tapar o buraco depois que o caminhão quebra, é preciso prevenir — o que, convenhamos, custa muito menos.
Campos oferece um exemplo interessante. Iniciado em 2021, o Programa Estradas do Produtor recuperou mais de 2.600 quilômetros de estradas. O município mantém frentes de recuperação em diferentes regiões e prepara uma licitação para construir ou reconstruir 40 pontes.
Exemplos como o de Campos inspiram. Porque o interior do Rio de Janeiro não pode ser lembrado apenas durante as campanhas eleitorais ou depois das grandes chuvas. Quem produz precisa de muito mais do que incentivo para plantar — precisa ter certeza de que haverá caminho para colher. E estrada boa não é favor ao produtor rural. É investimento no desenvolvimento do Rio de Janeiro.

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