Novos investimentos na Bacia de Campos se mostram viáveis e estratégicos para o BrasilBacia de Campos ? Geraldo Falcão/Agência Petrobras

Durante décadas, a Bacia de Campos foi o principal centro produtor de petróleo do Brasil. Com a expansão do pré-sal da Bacia de Santos, principalmente o campo de Búzios, perdeu participação na produção nacional. Isso, porém, não significa que esteja perdendo importância; pelo contrário, a bacia vem mostrando sinais de recuperação. Em 2025, sua produção chegou a cerca de 741 mil barris por dia — 9% acima de 2024. Nos primeiros meses de 2026, continuou acima da média do ano anterior.
A recuperação de campos maduros e a entrada de novos projetos vêm ajudando a conter o declínio natural das áreas mais antigas. E o potencial vai além da produção atual. Novas descobertas e ocorrências de petróleo registradas pela Petrobras entre 2025 e 2026, em áreas como Norte de Brava, Sudoeste de Tartaruga Verde, Marlim Sul e o bloco C-M-477, mostram que ainda há espaço para exploração — inclusive por ocorrências já comprovadas em estruturas do pré-sal.
Por isso, é preciso deixar de enxergar Campos apenas como uma bacia madura. A região reúne campos tradicionais, áreas de pré-sal e uma enorme estrutura já instalada, com plataformas, dutos, sistemas submarinos, bases logísticas e uma cadeia de empresas e profissionais especializados. Essa infraestrutura é uma grande vantagem. Novas descobertas, inclusive de menor porte, podem ser ligadas a instalações que já existem, reduzindo custos e acelerando o início da produção. É o chamado subsea tie-back.
Outra oportunidade está em retirar mais petróleo dos campos que já estão em produção. Segundo estimativas da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o fator médio de recuperação da Bacia de Campos está próximo de 17%. Se chegar a 30% com novos investimentos e tecnologias, o potencial adicional pode alcançar 10,7 bilhões de barris. Tecnologias como sísmica 4D, novos poços produtores e injetores, reinjeção de água e gás e monitoramento digital dos reservatórios podem aumentar bastante a produção dos campos maduros.
O Brasil, porém, precisa também descobrir mais petróleo. Em 2025, foram concluídos apenas oito poços exploratórios pioneiros no país, sendo sete deles no Rio de Janeiro. Para manter uma produção próxima de 5 milhões de barris por dia na próxima década, será necessário acelerar a exploração e a reposição das reservas. As projeções apontam que é possível alcançar esta meta no início dos anos 2030.
É aí que a Bacia de Campos pode ter um papel importante. Mesmo com a concentração de investimentos no pré-sal da Bacia de Santos, Campos tem infraestrutura, conhecimento, campos em produção e novas oportunidades. O retorno dos investimentos na província petrolífera também é uma das bandeiras defendidas pela Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), que reúne os principais municípios produtores do estado do Rio de Janeiro. A entidade tem defendido que a região volte a receber investimentos compatíveis com sua importância para a produção de petróleo e para a economia fluminense.
A experiência internacional mostra que bacias maduras podem ganhar nova vida. Guiana e Suriname mostram como acelerar a passagem da descoberta para a produção. Os Estados Unidos demonstram a força da tecnologia e da produtividade. Novas fronteiras na África revelam que a corrida pelo petróleo continua.
Para a Bacia de Campos, o caminho passa por explorar mais, recuperar melhor os campos existentes, aproveitar a infraestrutura instalada e investir continuamente em tecnologia. A região pode ser, ao mesmo tempo, uma grande área de recuperação de campos maduros, uma nova fronteira de pré-sal e um importante polo de infraestrutura offshore. O futuro depende de uma combinação simples de entender: perfurar mais, descobrir mais, recuperar mais e produzir melhor. É agora que se decide o petróleo que estará disponível na próxima década.