Redes sociais lideram como meio de informação, mas eleitores indecisos preferem a televisãoCaroline Pacheco/Famecos-PUCRS

Nas bancadas de estratégia política e nas salas de guerra dos marqueteiros, virou dogma repetir que a eleição se decide na palma da mão. Fala-se em algoritmos, vídeos curtos e cortes virais para Instagram como se o destino de um mandato dependesse exclusivamente da velocidade com que o polegar desliza pela tela do celular. O cenário da decisão eleitoral, no entanto, revela uma dinâmica bem mais sóbria.
Um recente levantamento feito pela BTG/Nexus impõe uma reflexão na euforia digital. Se por um lado as redes sociais lideram o meio geral de informação — apontadas por 77% dos entrevistados —, a televisão tradicional mantém sua força com expressivos 72%, seguida da internet em geral (61%), WhatsApp/Telegram (52%), jornais e revistas (49%) e rádio (38%).
A grande virada de chave para qualquer candidato que pretenda vencer está no recorte daqueles que ainda não definiram o voto. Entre os eleitores indecisos ou que declaram intenção de votar em branco ou nulo, a ordem de relevância muda de figura. Nesse grupo decisivo, a TV aberta assume a liderança absoluta com 54% da preferência para buscar informação sobre as eleições, deixando o Instagram em segundo lugar com 45%, portais e páginas de internet com 44%, o WhatsApp com 30% e os jornais impressos/sites de jornais também com 30%. O TikTok (27%), o YouTube (26%), o Facebook (26%) e o Rádio (20%) aparecem mais abaixo, enquanto plataformas ruidosas do debate político, como o X/Twitter (10%) e o Telegram (3%), atingem parcelas insignificantes do eleitor indeciso.
Esses números acendem um alerta crucial para quem está em campanha. O eleitor fiel, que já tomou lado, costuma engajar no barulho das redes e alimentar as bolhas algorítmicas. Porém, a parcela da população que efetivamente define uma eleição — os indecisos, os desiludidos e os cautelosos — consome política de outra maneira. Esse eleitor busca a segurança, a linguagem mais estruturada e o tempo de reflexão oferecidos pela televisão aberta e por meios mais tradicionais.
O candidato que concentrar toda a sua munição e orçamento na lacração das redes pode até garantir aplausos do seu nicho, mas corre o risco de permanecer invisível para a maioria que decide no silêncio da sala de estar. A sobriedade do meio tradicional ainda é uma ponte importante para alcançar quem busca propostas sérias, compromisso com os serviços públicos e conteúdo real.
Mas não custa lembrar: por mais que a escolha dos canais seja estratégica, ela de nada serve se não houver substância. Antes de decidir por onde falar, o candidato precisa saber exatamente o que comunicar: ter clareza do rumo que pretende dar à gestão pública, apresentar propostas concretas para os problemas reais da população e demonstrar coerência. O meio é apenas o veículo; a mensagem e o compromisso ético são o que realmente conquistam o voto.
Nas urnas, a militância digital faz barulho, mas é a prudência diante da TV aberta e a densidade das propostas que muitas vezes definem quem assume o poder. Campanhas inteligentes não desprezam a tecnologia, mas jamais esquecem onde o eleitor indeciso senta para pensar. E que, acima de canais, ele exige propostas.