A expansão da frota de carros elétricos é realidade sem volta no BrasilAgência de Notícias da Indústria

O carro elétrico deixou de ser uma promessa para o futuro e já começa a mudar o mercado brasileiro. Os números de agosto reforçam essa percepção: segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os veículos elétricos e híbridos responderam por 24,4% dos emplacamentos no país — um novo recorde. Apenas os modelos 100% elétricos somaram 25,9 mil unidades. No acumulado de janeiro a agosto, foram 372 mil veículos eletrificados vendidos — 125,8% a mais que no mesmo período de 2025. É um crescimento rápido, que mostra que o consumidor brasileiro está aderindo à nova tecnologia.
A mudança também está sendo puxada pela chegada de novos modelos, fabricantes e marcas, aumentando a concorrência e ampliando as opções para quem pretende trocar de carro. O problema é que, por enquanto, boa parte dessa transformação ainda depende de produtos e componentes importados. Dos eletrificados vendidos este ano, 39% são modelos produzidos no Brasil. Mesmo assim, muitos utilizam peças trazidas do exterior, desmontadas ou semidesmontadas. Isso mostra que o próximo passo precisa ser fortalecer a produção nacional.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) considera que a expansão da eletromobilidade será favorecida pelo aumento da oferta, pela queda dos preços e pelo avanço da tecnologia. A Agência Internacional de Energia (IEA) também defende que o Brasil aproveite sua indústria e combine diferentes soluções, como veículos elétricos, híbridos e biocombustíveis.
E aqui está um dos principais desafios: como tornar o carro elétrico mais barato?
A resposta não está apenas no estímulo à compra. É preciso reduzir o custo de toda a cadeia. Isso significa produzir mais componentes no Brasil, desenvolver fornecedores, investir em pesquisa e inovação, facilitar o financiamento e ampliar a fabricação de baterias. Também é necessário aumentar a rede de recarga, porque não adianta o consumidor comprar um carro elétrico se tiver dificuldade para encontrar um lugar onde carregá-lo.
O Brasil tem, nesse aspecto, uma vantagem importante. Cerca de 90% da geração de eletricidade veio de fontes de baixo carbono em 2024, segundo a IEA. Além disso, o país possui uma longa experiência com etanol e outros biocombustíveis. Ou seja, não precisamos escolher uma única tecnologia. Podemos combinar carros elétricos, híbridos e combustíveis renováveis de acordo com cada tipo de uso. Essa diversidade pode ser uma vantagem competitiva brasileira.
O governo já começou a criar instrumentos para acelerar essa transformação. Segundo a Anfavea, o programa Carro Sustentável aumentou em 27,2% as vendas de modelos totalmente produzidos no Brasil desde julho de 2024. O BNDES também possui linhas de financiamento para veículos de menor emissão, equipamentos de recarga, baterias e projetos de baixo carbono. O desafio, agora, é dar escala a essas iniciativas. O Brasil tem indústria automobilística, mercado consumidor, conhecimento tecnológico, energia renovável e experiência em biocombustíveis. Tem condições para não ficar apenas na posição de comprador de uma tecnologia desenvolvida por outros países.
A pergunta já não é se os carros elétricos vão ganhar espaço no Brasil. Os números mostram que isso já está acontecendo. A verdadeira questão é outra: vamos apenas importar essa nova tecnologia ou vamos aproveitar a oportunidade para produzir, inovar, gerar empregos e reduzir custos dentro do país? O carro elétrico chegou para ficar. Agora cabe ao Brasil decidir se será apenas passageiro ou também protagonista dessa transformação.