Laboratório da Fiocruz: a saúde é uma das indústrias mais poderosas do estado do RioPortal Fiocruz
O Rio precisa transformar seus ativos em desenvolvimento
O estado do Rio tem petróleo, universidades, portos, turismo, ciência e cultura. O desafio é transformar essa riqueza em desenvolvimento, emprego e oportunidades.
O estado do Rio de Janeiro parece ter nascido com o futuro dentro de casa. Tem petróleo e gás, universidades, centros de pesquisa, portos, uma poderosa indústria de saúde, patrimônio cultural, turismo, biodiversidade, litoral, logística e uma marca reconhecida no mundo inteiro. Ainda assim, nem sempre consegue transformar essa coleção de ativos em um projeto consistente de desenvolvimento.
É justamente essa reflexão que ganha força com a iniciativa RioAgora.org, apartidária e sem fins lucrativos, criada para qualificar o debate público e influenciar os planos de governo e as agendas legislativas dos candidatos a governador, senador e deputados federais e estaduais. Ao longo do primeiro semestre de 2026, a iniciativa reuniu especialistas, promoveu escutas públicas e utilizou tecnologia para organizar estudos, dados e referências. O resultado foi a construção de prioridades, caminhos para sua implementação e indicadores capazes de acompanhar os resultados. Entre os temas debatidos, desenvolvimento econômico e social merece atenção especial.
O diagnóstico é direto: o Rio cresce pouco, ainda não conseguiu avançar o suficiente sua estrutura produtiva e permanece excessivamente dependente do petróleo. Ao mesmo tempo, a desigualdade territorial continua evidente. É como se o estado tivesse várias peças de um grande quebra-cabeça, mas ainda faltasse encaixá-las.
O caminho proposto pelo RioAgora.org passa justamente por isso: usar os ativos que o estado já possui para construir novas missões econômicas. Energia, por exemplo, não pode ser vista apenas como fonte de royalties ou instrumento para equilibrar as contas públicas. Petróleo e gás podem ajudar a financiar e estimular cadeias produtivas, tecnologia, inovação e uma transição energética capaz de preparar o estado para a economia do futuro.
A reindustrialização também precisa deixar de ser uma palavra bonita em discursos e transformar-se em política concreta. O objetivo não é simplesmente recuperar fábricas, mas aumentar produtividade, agregar valor e criar encadeamentos entre grandes empresas, fornecedores locais, universidades e centros de pesquisa.
E há uma vantagem que o Rio não deveria desperdiçar: seus ativos permitem pensar em várias missões simultaneamente. A economia verde, o mar, a saúde, a logística, o turismo, a cultura e a tecnologia podem formar novos vetores de crescimento. Isso exige, porém, uma mudança de olhar sobre o território. O desenvolvimento não pode continuar concentrado em alguns poucos pontos do mapa. Baixada Fluminense e Sul Fluminense precisam aparecer explicitamente como prioridades, com projetos-âncora capazes de gerar emprego, renda, infraestrutura e novas oportunidades.
As universidades e o sistema científico também precisam sair do isolamento. O conhecimento produzido em laboratórios precisa encontrar empresas, serviços públicos e mercados. Uma universidade forte não é apenas aquela que publica pesquisas: é também aquela que ajuda a transformar conhecimento em inovação, produtividade e empregos qualificados.
O mesmo vale para cultura e turismo. A marca Rio é um ativo econômico extraordinário. Mas marca, sozinha, não paga conta. É preciso governança, qualificação profissional, infraestrutura, promoção e integração entre os diferentes territórios para transformar cultura e turismo em atividades capazes de gerar renda durante todo o ano.
Tudo isso desemboca em uma questão essencial: trabalho. Diversificar a economia só fará sentido se significar mais empregos formais, melhor qualificação, maior produtividade e oportunidades distribuídas pelo território. O mérito da proposta do RioAgora.org está principalmente nisso: lembrar que desenvolvimento não acontece por inércia. Petróleo, universidades, portos, praias, cultura, hospitais e empresas são ativos importantes, mas não constituem, por si só, uma estratégia.
O Rio precisa escolher onde quer chegar — e organizar seus recursos para chegar lá. Talvez esteja na hora de parar de perguntar apenas quanto o estado arrecada com suas riquezas e começar a perguntar o que consegue construir a partir delas. Essa é a diferença entre viver de seus ativos e usá-los para criar um novo futuro.

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