Idosos praticam atividade física: envelhecer não significa desaparecerAgência Brasil
Em que cidade vamos envelhecer?
As cidades precisam se preparar para garantir mais qualidade de vida aos idosos. Um projeto aprovado na Alerj em primeira discussão caminha neste sentido.
Um dia, a gente percebe que a cidade ficou diferente. Não que ela tenha mudado; mas aquela calçada quebrada que antes era apenas um incômodo passa a ser um obstáculo. A praça sem bancos já não convida tanto para uma conversa. A travessia sem sinalização adequada pode transformar uma simples ida à padaria em uma pequena aventura. A fila para atendimento no banco ou no posto de saúde se torna um martírio.
Esse é assunto urgente, que precisa entrar de vez nas conversas sobre o futuro dos municípios. Afinal, a população está envelhecendo. Em 2000, segundo o IBGE, as pessoas com 60 anos ou mais representavam 8,7% da população brasileira. Em 2023, já eram 15,6%. E a projeção é que, em 2070, esse grupo represente cerca de 37,8% dos brasileiros. É muita gente para ser ignorada por políticas públicas.
A pergunta que precisamos fazer: as cidades estão preparadas para isso?
No estado do Rio de Janeiro, essa discussão ganhou um capítulo importante. Na última terça-feira (29), a Assembleia Legislativa aprovou, em primeira discussão, o Projeto de Lei 5.326/25, que cria o Programa Cidade Amiga do Idoso. A ideia é incentivar os municípios fluminenses a transformar o envelhecimento em uma questão de política pública, e não apenas em uma preocupação de famílias e profissionais da saúde.
Para participar, o município deverá ter uma política municipal do idoso e apresentar um plano de ação com medidas em diversas áreas, como transporte, moradia, espaços públicos, participação social, emprego, inclusão, comunicação, saúde e segurança. Os municípios que cumprirem os requisitos poderão receber o título de “Cidade Amiga do Idoso”, concedido por um conselho com representantes do poder público e de entidades da população idosa. O reconhecimento terá validade de três anos e precisará ser revalidado.
A proposta ainda precisa passar por uma segunda votação para ser aprovada e ir à sanção do governador Ricardo Couto, mas é um passo importante pela cidadania plena. Porque envelhecer não significa desaparecer. Ao contrário: é acumular histórias, experiências, conhecimento e vínculos. É continuar tendo sonhos, desejos, opiniões e vontade de participar. E não custa lembrar que a cidade que estamos construindo hoje será a cidade em que muitos de nós envelheceremos amanhã.
Construir uma cidade amiga do idoso é construir uma cidade amiga de todos nós. Inclusive daquele que, sem perceber, já está começando a envelhecer.

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