A EF-118 ligará o Porto do Açu ao Espírito Santo e à malha ferroviária nacionalMinistério da Infraestrutura
EF-118 avança e abre caminho para uma nova logística no RJ
Após aprovação do TCU, concessão da ferrovia avança e pode transformar o Porto do Açu em um novo eixo de integração logística e desenvolvimento regional.
Ao que tudo indica, a tão sonhada EF-118 finalmente começará a sair do papel ainda este ano. O principal entrave já não existe mais: o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o modelo para a concessão da ferrovia, recolocando nos trilhos um dos projetos de infraestrutura mais aguardados pelo estado do Rio de Janeiro. Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, o edital de concessão será publicado neste mês de outubro.
A ferrovia ligará o Porto do Açu, em São João da Barra, a Santa Leopoldina (ES), possibilitando a interconexão com a malha nacional através da ligação com a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). O primeiro trecho do chamado Anel Ferroviário do Sudeste poderá ser implantado em até sete anos, com possibilidade de antecipação de etapas. O custo da obra é estimado em R$ 6,6 bilhões.
O modelo de concessão foi motivo de análise no TCU por seu caráter inédito. O leilão para definição da empresa responsável pela obra terá como critério a combinação entre o menor valor de auxílio público solicitado e o maior lance, buscando reduzir a necessidade de recursos da União. Outra inovação é permitir que a concessionária opere a ferrovia sem necessariamente adquirir material rodante próprio, podendo utilizar composições compartilhadas com outras ferrovias conectadas. A principal diferença em relação aos modelos tradicionais está, portanto, na combinação entre concessão privada, aporte público significativo e compartilhamento operacional, distribuindo de forma diferente os riscos e custos da implantação do empreendimento.
Mais do que uma obra ferroviária, a EF-118 representa uma oportunidade de transformação econômica para o Norte Fluminense. A conexão com o Porto do Açu poderá ampliar a capacidade de movimentação de cargas e aproximar o complexo portuário de mercados produtores e consumidores do Espírito Santo, Minas Gerais e Região Centro-Oeste. Entre os principais interessados na obra estão os produtores de soja e milho de Goiás, que atualmente exportam sua safra via caminhão pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), onde se sujeitam a filas de espera de duas semanas até conseguir embarcar a carga num navio.
A nova ferrovia reduzirá a dependência do transporte rodoviário e oferecerá uma alternativa mais adequada para grandes volumes de cargas. Com isso, abre-se espaço para melhorar a competitividade logística e criar condições mais favoráveis à instalação de novos empreendimentos. É aí que os trilhos deixam de ser apenas infraestrutura e passam a funcionar como instrumento de desenvolvimento regional.
O Porto do Açu já se consolidou como um importante ativo logístico e econômico. A chegada da EF-118 poderá ampliar seu raio de influência e fortalecer a posição do Norte Fluminense como território estratégico para atividades industriais, portuárias, energéticas e de serviços. Mas o impacto vai além. Numa segunda etapa, o projeto prevê a extensão da EF-118 entre o Porto do Açu e Nova Iguaçu, aproximando o complexo portuário da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e ampliando sua integração com a malha ferroviária estadual e nacional.
Mais do que uma etapa burocrática vencida, o avanço da concessão representa a possibilidade de transformar em realidade um projeto que há anos aparece nos planos de infraestrutura e desenvolvimento do Sudeste. Depois de tantos anos de espera, a EF-118 precisa finalmente deixar os mapas e chegar ao território. Quando isso acontecer, os trilhos poderão carregar muito mais do que minério, produtos e equipamentos; poderão carregar uma nova perspectiva de desenvolvimento para o Norte Fluminense e, posteriormente, para todo o estado do Rio de Janeiro.

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