Na pesquisa, foram ouvidos 24.532 profissionais das bacias de Santos, Campos e do Espírito SantoGeraldo Falcão/Agência Petrobras
Trabalhadores, a riqueza do petróleo que vai além dos barris
Pesquisa com 24,5 mil profissionais revela o perfil dos trabalhadores do petróleo e a importância da indústria para a economia e o desenvolvimento fluminense.
Quando se fala na indústria do petróleo, os números que chamam a atenção são os bilhões em investimentos e as receitas com royalties. Mas existe outra riqueza igualmente importante: as pessoas que fazem essa indústria funcionar. Por trás de cada barril extraído, há trabalhadores que movimentam empresas, famílias e economias.
Um retrato dessa realidade está no segundo boletim anual do Programa Macrorregional de Caracterização Socioespacial dos Trabalhadores (PMCST), sob responsabilidade da Petrobras e execução da Business School. A pesquisa reuniu informações de 24.532 profissionais das bacias de Santos, Campos e do Espírito Santo, cerca de 38% da força de trabalho de dez operadoras do setor.
Um dos dados que merecem atenção é o número de terceirizados: são 15.650 trabalhadores, contra 8.658 empregados próprios das operadoras e 186 autônomos. Esse cenário reforça a importância de acompanhar as condições de contratação, a estabilidade profissional e a proteção social de quem atua na cadeia produtiva.
A participação feminina também é um desafio. Embora as mulheres estejam conquistando espaço no mercado de trabalho, representam apenas 6% dos profissionais embarcados. A desigualdade evidencia a necessidade de ampliar as oportunidades de acesso, formação e crescimento profissional na indústria offshore.
O estudo mostra ainda que dez municípios concentram 55,9% dos trabalhadores do setor. O Rio de Janeiro lidera, com 17,4%, seguido por Macaé (11%), Campos dos Goytacazes (7,15%) e Rio das Ostras (4,96%). Macaé é um importante centro operacional, enquanto Campos se destaca na logística, com o Heliporto do Farol de São Tomé. Já o Porto do Açu, em São João da Barra, é apontado como o principal porto citado pelos trabalhadores.
A presença da indústria também se reflete na demanda por serviços públicos. Apesar de 98,5% dos entrevistados possuírem plano de saúde privado, 44,1% também utilizam a rede pública. Na educação, entre os 15.963 profissionais com dependentes em idade escolar, 35,9% informaram utilizar a rede pública de ensino.
Outro dado relevante é a migração motivada pelo trabalho. Entre 23.710 respostas sobre a origem residencial, 12.107 profissionais disseram que já moravam ou nasceram no município onde vivem, enquanto 5.710 afirmaram ter se mudado por causa do emprego. Esse movimento reforça a importância de planejar a oferta de moradia, transporte, saneamento e outros serviços.
Para o Norte Fluminense, onde o petróleo tem peso decisivo na economia, informações como essas podem orientar políticas de qualificação profissional, infraestrutura e desenvolvimento regional. Governos, universidades e empresas precisam conhecer melhor os trabalhadores e suas necessidades para planejar o futuro da região.
Afinal, a importância do petróleo não se mede apenas pelo volume extraído, pelos investimentos ou pelos royalties. Tão importante quanto saber quanto essa indústria movimenta é reconhecer quem faz essa riqueza acontecer e como ela pode melhorar a vida dos trabalhadores, de suas famílias e das cidades.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.