A recuperação de áreas degradadas é uma estratégia para aumento da área verde e segurança hídricaDivulgação/Instituto Espinhaço
O clima mudou. A gestão pública também precisa mudar
Adaptação climática, redução de emissões e créditos de carbono já são parte da agenda estratégica de estados e municípios.
As mudanças climáticas já não são uma ameaça distante. Chuvas extremas, períodos de estiagem, ondas de calor, enchentes e perda de biodiversidade mostram que os municípios precisam se preparar para uma realidade que já está presente. A adaptação climática deixou de ser uma ação emergencial para fazer parte do planejamento dos estados e das prefeituras. Isso significa proteger nascentes, recuperar florestas, conservar o solo, ampliar áreas verdes, melhorar a drenagem e preparar a infraestrutura para eventos extremos.
Mas há outro lado dessa equação: é preciso também reduzir as emissões de gases de efeito estufa. A transição para uma economia de baixo carbono envolve energia limpa, mobilidade sustentável, gestão adequada de resíduos, recuperação ambiental e, cada vez mais, projetos capazes de gerar créditos de carbono.
Uma boa notícia é que existe dinheiro para isso. Mais do que nunca, organizações e governos encontram oportunidades de financiamento climático por meio dos chamados grants, recursos não reembolsáveis destinados a projetos com impacto ambiental e social. Um exemplo está no Global EbA Fund, coadministrado pela IUCN e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep), que abriu uma chamada oferecendo grants de até 250 mil dólares por projeto para iniciativas de Adaptação Baseada em Ecossistemas. O Brasil está entre os países elegíveis. Podem participar organizações como ONGs, universidades, instituições de pesquisa e organizações comunitárias e indígenas. As inscrições para essa modalidade vão até 26 de outubro de 2026.
No Rio de Janeiro, há ainda um mecanismo próprio de incentivo que se mostrou um sucesso: o ICMS Verde, que aumenta a participação dos municípios nos repasses do ICMS conforme seu desempenho em conservação ambiental, recursos hídricos e gestão de resíduos. Em outras palavras, cuidar do meio ambiente também pode significar melhorar a capacidade de arrecadação municipal.
Um exemplo concreto dessa nova lógica é o Projeto Pró-Águas RJ, desenvolvido pelo Instituto Espinhaço. Em sua primeira fase, estão sendo implantados 90 hectares em áreas estratégicas de Campos, Rio Claro e Piraí. São 60 hectares destinados à restauração florestal e 30 hectares à conservação do solo, num projeto que combina restauração ambiental, proteção de nascentes, conservação do solo e fortalecimento da segurança hídrica, além de possuir potencial para gerar oportunidades econômicas associadas à restauração e aos mecanismos de carbono.
O recado é claro: a agenda climática não deve ser vista apenas como obrigação ambiental, mas como estratégia de desenvolvimento. Quem planeja hoje reduz prejuízos amanhã, protege seu território e ainda pode acessar recursos nacionais e internacionais. Para estados e municípios, a hora de transformar sustentabilidade em política pública, fonte de financiamento e oportunidade econômica é agora.

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