Já concluída, a Ponte da Integração precisa de uma ligação com a BR-101César Ferreira

Desenvolvimento não acontece por decreto. Ele precisa de estradas, ferrovias, portos, aeroportos, energia, internet, saneamento e uma boa conexão entre quem produz e quem consome. Infraestrutura é o caminho físico por onde circulam pessoas, mercadorias, investimentos e oportunidades. Quando essa estrutura funciona, o território ganha velocidade. Quando existem gargalos, gasta-se tempo e dinheiro.
O Norte Fluminense conhece bem essa história. A região reúne ativos importantes para a economia do estado do Rio de Janeiro e do país, como petróleo e gás, indústria, agropecuária, universidades, serviços e o Porto do Açu. Mas ainda existem nós logísticos que precisam ser desatados para que todo esse potencial se transforme em mais negócios, empregos e renda. Esses nós vêm sendo fartamente debatidos por lideranças políticas e empresariais nas últimas semanas, a partir de estudos técnicos, em reuniões com a participação da Prefeitura de Campos, Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Porto do Açu e Associação das Indústrias da Codin Guarus (AIC).
Um dos gargalos logísticos está na BR-356, ligação estratégica entre Campos, São João da Barra e o Porto do Açu. A rodovia está no mapeamento do Governo Federal para uma futura concessão por meio de Parceria Público-Privada (PPP). O desafio é encontrar um modelo que considere uma característica particular: o movimento de veículos não é tão elevado que se compense com a cobrança de pedágio, mas a circulação de cargas até o Porto do Açu é fundamental e tende a dobrar nos próximos anos.
Outro nó está na BR-101. Para Campos, a implantação do Contorno e a melhoria do trecho urbano são fundamentais para separar o tráfego de longa distância do movimento cotidiano da cidade. A proposta de reorganizar investimentos dentro do contrato de concessão, sem aumento de custo, mostra que infraestrutura também exige criatividade, planejamento e capacidade de negociação. A BR-101 também precisa de uma ligação direta com o Porto do Açu – e o caminho mais viável no momento é o asfaltamento da RJ-194, ligando a rodovia federal à Ponte da Integração.
Há ainda a novela da Estrada dos Ceramistas. Com as obras paralisadas, veículos pesados acabam pressionando o sistema viário urbano. A recuperação do asfalto está prevista em um aditivo ao contrato, mas o reinício dos trabalhos depende do fim do período de chuvas. Resolver esse problema significa melhorar a mobilidade e, ao mesmo tempo, criar uma alternativa logística mais adequada para o transporte de cargas.
No transporte ferroviário, o desafio é ainda maior. A EF-118, o chamado Anel Ferroviário do Sudeste, poderá conectar Rio de Janeiro e Vitória, passando pelo Porto do Açu e aproximando os portos e empresas fluminenses da malha ferroviária nacional. O projeto, porém, está parado enquanto o modelo de concessão — que prevê custos compartilhados entre o poder público e a iniciativa privada — é analisado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Deve ficar para 2027.
Não custa lembrar: desenvolvimento regional também é uma questão de conexão. Uma indústria precisa chegar ao mercado. Uma carga precisa chegar ao porto. Um trabalhador precisa chegar ao emprego. Um empresário precisa chegar ao seu destino. Um turista precisa conseguir chegar à cidade. Discutir infraestrutura, portanto, é discutir o futuro econômico de uma região.
O Norte Fluminense já tem muitos dos ingredientes necessários para crescer. O que falta, em boa medida, é desatar os nós que ainda impedem esses ativos de se conectarem plenamente. E quanto mais rápido essas peças forem conectadas, mais rápido o desenvolvimento poderá circular.