A ampliação das linhas de transmissão de energia é um dos desafios previstos pelo PNE 2050Arquivo/Agência Brasil
Rio de Janeiro, o estado de energia
O Rio reúne petróleo, gás, renováveis, portos e infraestrutura para liderar a transição energética e transformar seu potencial em indústria, tecnologia e empregos.
Há estados que produzem energia. E há o Rio de Janeiro, que reúne praticamente todas as grandes possibilidades do futuro energético brasileiro: petróleo, gás natural, geração elétrica, potencial eólico offshore, energia solar, hidrogênio e uma infraestrutura industrial e portuária capaz de conectar produção e consumo. Mais do que um estado produtor, o Rio pode ser um verdadeiro estado de energia.
Essa vocação ganha relevância diante do Plano Nacional de Energia (PNE) 2055, aprovado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) no fim de setembro. Elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o documento aponta que a demanda por eletricidade poderá crescer mais de quatro vezes até 2055, enquanto a participação das fontes renováveis na oferta interna poderá superar 80%.
O Rio parte de uma posição privilegiada. Em 2025, respondeu por 87,8% da produção brasileira de petróleo, segundo o Balanço Energético Nacional, e por 76,9% da produção nacional de gás natural, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). É uma liderança que coloca o estado no centro da segurança energética brasileira e oferece uma base industrial para a transição em curso.
Mas o futuro energético fluminense não precisa estar preso aos combustíveis fósseis. A costa do estado apresenta elevado potencial para a geração eólica offshore, enquanto o Norte Fluminense começa a se posicionar para novos projetos ligados à economia de baixo carbono. Um bom exemplo está no Porto do Açu, que reúne infraestrutura portuária, conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN), gás natural e projetos de energia renovável, hidrogênio de baixo carbono e eólica offshore. Há ainda estudos para data centers de até 1 GW, atividade que o PNE aponta entre os fatores capazes de elevar significativamente a demanda por eletricidade nas próximas décadas.
Essa combinação pode transformar a geografia econômica do Rio. Em vez de apenas produzir energia e enviá-la para outros lugares, o estado pode atrair indústrias intensivas em energia para produzir bens de maior valor agregado, como hidrogênio e derivados, fertilizantes, produtos siderúrgicos de baixo carbono, combustíveis sintéticos e componentes da nova economia energética.
O desafio, porém, não está apenas em gerar energia. O Brasil precisará ampliar a infraestrutura para transportá-la. O PNE 2055 estima que as linhas de transmissão poderão chegar a 390 mil quilômetros, mais que o dobro da extensão atual, enquanto a capacidade de transformação também deverá crescer fortemente.
A questão é especialmente importante diante do chamado curtailment, quando usinas eólicas e solares precisam reduzir sua geração porque a energia produzida não consegue ser plenamente absorvida pelo sistema. Não basta, portanto, instalar parques de geração: é preciso garantir que a energia chegue às indústrias, aos centros urbanos e aos novos grandes consumidores.
Nesse cenário, o Rio reúne uma vantagem que poucos territórios possuem: recursos energéticos, infraestrutura, mercado consumidor, indústria, portos e proximidade dos principais centros econômicos do país. A questão não é escolher entre o velho e o novo, mas transformar a riqueza energética existente em uma plataforma para o futuro.
O Rio já provou que sabe produzir energia. Agora precisa converter essa vocação em desenvolvimento, indústria, tecnologia, empregos e novas cadeias produtivas, deixando de ser apenas um grande produtor para se consolidar como aquilo que seu território, sua infraestrutura e seus recursos permitem: o estado de energia do Brasil.

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