Produção de café no Noroeste Fluminense: estratégia de desenvolvimento exige infraestrutura, logística e integraçãoDivulgação/Governo do Estado

Com tantos potenciais reunidos em seus 92 municípios, por que o Rio de Janeiro não tem um plano estratégico de desenvolvimento de médio e longo prazo, como o Espírito Santo, São Paulo e outros estados brasileiros? A pergunta expõe uma contradição: o estado reúne petróleo, portos, indústria, agricultura, turismo e mão de obra qualificada, mas ainda carece de uma visão integrada e duradoura sobre o próprio futuro.
Não faltam vocações econômicas. O que falta é transformar essa diversidade em uma estratégia capaz de orientar governos, municípios, empreendedores e investidores. Sem planejamento que ultrapasse os mandatos eleitorais, o estado continuará reagindo a problemas imediatos enquanto oportunidades permanecem desperdiçadas.
O Rio que produz vai muito além da capital e da Região Metropolitana. Está nas plataformas de petróleo do Norte Fluminense, na pecuária leiteira do Noroeste, nas confecções da Serra, nas montadoras do Médio Paraíba e no turismo do litoral. Cada região tem características que poderiam se complementar, mas, quando os municípios desenvolvem estratégias isoladas, perdem oportunidades de compartilhar investimentos, integrar políticas públicas e construir soluções conjuntas.
Uma cidade pode ter produção agrícola, mas não dispor de logística para escoá-la. Outra pode reunir empresas interessadas em matéria-prima, sem estabelecer conexões com produtores vizinhos. Municípios próximos podem disputar os mesmos investimentos, em vez de atuar conjuntamente para ampliar as possibilidades de desenvolvimento. Esses desencontros revelam a ausência de uma coordenação estadual. Afinal, se cada município planeja seu futuro isoladamente, quem está pensando o desenvolvimento do Rio de Janeiro como um todo?
Esse papel cabe ao Governo do Estado. O próximo governador precisa liderar a construção de um plano estratégico de médio e longo prazo, com metas, prioridades, investimentos e mecanismos de acompanhamento. Um projeto elaborado com a participação das prefeituras, universidades, setor produtivo e sociedade civil, mas que não se limite a uma carta de intenções.
Alguns estados oferecem referências que merecem ser estudadas. Não se trata de copiar modelos, mas de compreender como o planejamento pode integrar políticas, orientar investimentos e dar previsibilidade à economia. Porque, hoje, quem deseja empreender ou investir no Rio de Janeiro não encontra uma fotografia suficientemente clara de para onde o estado caminha e quais caminhos pretende seguir.
Não basta anunciar empreendimentos ou celebrar indicadores econômicos. É preciso demonstrar como cada iniciativa se conecta a um projeto de futuro. Isso exige estradas em boas condições, saneamento, conectividade, saúde pública estruturada e educação de qualidade, incluindo formação técnica e profissionalizante. Também é fundamental integrar os pequenos negócios, a agricultura familiar e as cooperativas a essa estratégia, ampliando o acesso a crédito, tecnologia e mercados. O desenvolvimento não pode ficar restrito a grandes empreendimentos nem concentrado em determinados territórios.
O governador eleito Douglas Ruas terá a responsabilidade de estabelecer uma visão de futuro para os 92 municípios. Isso significa definir prioridades, articular potencialidades regionais e assumir compromissos que sobrevivam às mudanças de governo. O Rio de Janeiro não pode continuar dependendo de projetos desconectados. O estado precisa decidir para onde quer ir — e mostrar como pretende chegar lá. Essa responsabilidade não pode ser transferida às prefeituras, nem adiada para a próxima gestão.