Globo é acusada de obstruir a Justiça após episódio de importunação sexual no BBB 26Foto: Reprodução/ TV Globo
Exclusivo Globo é acusada de obstruir a Justiça após episódio de importunação sexual no BBB 26
Emissora é cobrada por omissão após caso envolvendo Pedro e Jordana no BBB 26
A coluna Daniel Nascimento descobriu que a Globo voltou ao centro de uma polêmica que ultrapassa os muros da casa mais vigiada do país e agora chega ao campo criminal. Um pedido formal de abertura de inquérito policial foi protocolado após um episódio de importunação sexual exibido no Big Brother Brasil 26, levantando suspeitas de omissão da emissora e até de obstrução da Justiça.
As imagens que circularam nas últimas horas mostram o participante Pedro abordando Jordana de forma física e não consentida dentro da despensa da casa. Ele a teria cercado, segurado pelo pescoço e tentado beijá-la à força, mesmo diante de sinais claros de resistência. O episódio gerou forte repercussão pública e terminou com a desistência do participante, decisão que, segundo bastidores jurídicos, não afasta eventual responsabilidade penal.
O caso é enquadrado, em tese, como crime de importunação sexual, previsto no artigo 215-A do Código Penal, cuja apuração independe de representação da vítima. Por se tratar de um crime de ação penal pública incondicionada, o entendimento é de que a simples retirada do agressor do programa não substitui o dever de comunicação imediata às autoridades competentes.
É justamente nesse ponto que recaem as principais críticas à Globo. Questiona-se por que não houve intervenção imediata da produção, com advertência sonora e expulsão no momento do ocorrido, e por qual motivo as autoridades policiais não teriam sido acionadas de forma imediata, mesmo diante da natureza do crime. A manutenção do participante no ambiente de confinamento, ainda que por horas, é apontada como fator de risco e possível revitimização.
Outro ponto sensível envolve a preservação das provas. Há cobrança para que a emissora assegure a integridade de todo o material audiovisual, inclusive imagens brutas não editadas, além de esclarecimentos sobre o apoio psicológico e jurídico oferecido à vítima logo após o episódio.
Em carta enviada à TV Globo, o deputado estadual Yuri Moura (RJ), responsável por solicitar a abertura do inquérito citado no início do texto, afirma que a não comunicação imediata de um crime dessa natureza pode configurar, em tese, obstrução de Justiça ou, no mínimo, negligência grave no dever de colaboração com a apuração penal.
Procurada, a Globo ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido de investigação nem sobre os questionamentos relacionados aos protocolos adotados no programa. A coluna deixa o espaço aberto para eventuais manifestações.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.