Glória Pires e marido conseguem decisão favorável em disputa rural após acusação de invasão de terras em GoiásFoto: Redes sociais/ Reprodução

A coluna Daniel Nascimento descobriu com exclusividade que a disputa judicial envolvendo Glória Pires e o marido, Orlando Morais, ganhou novos desdobramentos nos bastidores da Justiça. O casal, que aparece como réu em uma ação movida pelo produtor rural Afrânio Vilela por causa de uma fazenda em Anápolis (GO), entrou com recurso e conseguiu uma decisão favorável no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.

O processo envolve também a empresa SV Anápolis Agropecuária, ligada ao casal. Apesar de a defesa ter alegado na Justiça que Glória e Orlando deixaram oficialmente o quadro societário em 2021, a coluna apurou que os dois continuam conectados ao negócio por meio da Boizinho Feliz Agropecuária e Participações, empresa da família que também conta com a participação dos filhos dos artistas.

É justamente a Boizinho Feliz que segue como sócia da SV. Orlando aparece como administrador da holding familiar, enquanto Glória e os filhos também fazem parte da empresa.

Mas afinal, do que Glória Pires, Orlando e os demais sócios estão sendo acusados?

Segundo Afrânio Vilela, a empresa e seus sócios teriam realizado um georreferenciamento irregular sobre uma propriedade rural que ele afirma ser sua. Na prática, o produtor rural acusa os envolvidos de terem avançado sobre uma área que seria dele, utilizando informações supostamente falsas ou incorretas no procedimento que resultou no registro imobiliário da fazenda.

Afrânio sustenta ainda que o registro seria irregular e teria causado prejuízos financeiros e danos morais. Por isso, ele entrou na Justiça pedindo a anulação do registro de georreferenciamento, a invalidação de todos os atos derivados desse registro e uma indenização de R$ 200 mil por danos morais.

Apesar das acusações citadas no processo, é importante destacar que não existe, até este momento, condenação judicial ou acusação criminal formal reconhecida pela Justiça contra Glória Pires, Orlando de Morais Filho ou os demais sócios envolvidos no caso. A disputa tramita na esfera cível e segue sob segredo de Justiça.

Em alguns trechos do recurso processual, ao qual a coluna teve acesso com exclusividade, a defesa de Glória e Orlando afirma que Afrânio divulgou reportagens acusando os envolvidos de "invasão de terras" e associando os artistas a supostos atos de violência ligados ao conflito fundiário.

Os advogados do casal alegam que essas publicações utilizaram a imagem dos artistas de forma "sensacionalista", gerando desgaste público e constrangimento. Segundo a defesa, o processo corre em segredo de Justiça e informações teriam sido divulgadas de forma parcial.

Do outro lado, a defesa de Glória e Orlando nega todas as irregularidades e sustenta que eles não praticaram atos ilícitos, que não existe prova de fraude, nem confusão patrimonial, além de afirmar que a discussão envolve apenas questões empresariais e registrais. Os advogados também defendem que o casal estaria sendo incluído indevidamente na ação por serem figuras públicas.

Outro ponto que virou alvo de disputa foi a gratuidade de Justiça concedida a Afrânio Vilela. Os advogados do casal alegaram que o produtor rural não comprovou situação financeira que justificasse o benefício.

Segundo os advogados da atriz, Afrânio é militar da reserva aposentado e teria patrimônio incompatível com a alegação de hipossuficiência financeira. Nos autos, os advogados citam que ele possuiria imóveis, uma caminhonete S-10 e mais de R$ 51 mil em conta poupança. Eles ainda afirmam que o produtor rural não apresentou extratos bancários completos, comprovantes atualizados de renda e nem detalhamento das despesas essenciais.

A defesa chegou a afirmar que Afrânio teria "mascarado" a real situação financeira para evitar o pagamento das custas do processo, justamente em uma ação na qual pede R$ 200 mil de indenização.

Mesmo assim, o TJ-GO decidiu que essa discussão sobre a gratuidade não seria analisada naquele momento do recurso.

Apesar da tensão nos bastidores, Glória Pires e Orlando conquistaram uma vitória importante no caso. Em março de 2026, o Tribunal de Justiça de Goiás decidiu que o processo não deveria continuar na Justiça Estadual e determinou o envio da ação para a Justiça Federal.

O desembargador responsável pelo caso entendeu que o pedido de anulação do registro de georreferenciamento atinge diretamente um ato administrativo ligado ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), órgão federal responsável pela certificação do procedimento.

A decisão foi considerada uma derrota importante para Afrânio Vilela, que tentou reverter o entendimento por meio de embargos de declaração. O produtor rural alegou que o recurso apresentado pela defesa de Glória e Orlando teria sido feito fora do prazo.

Mas o tribunal rejeitou os embargos por unanimidade e manteve o entendimento de que o recurso foi apresentado corretamente dentro do prazo legal.

Nem tudo, porém, foi vitória para o casal. O TJ-GO decidiu não analisar naquele momento o pedido da defesa para retirar Glória Pires e Orlando do polo passivo da ação. Os desembargadores entenderam que essa discussão ainda precisa ser enfrentada primeiro pelo juiz da primeira instância.
Com isso, o casal segue formalmente como réu no processo, que continua em andamento e ainda sem desfecho definitivo.