Bastidores de "Meu Pai Milionário Me Abandonou", nova aposta de Douglas Sampaio como diretorFoto: Divulgação

A coluna Daniel Nascimento traz com exclusividade os bastidores do novo momento de Douglas Sampaio. Conhecido do grande público por sua trajetória como ator, ele vem consolidando também sua atuação por trás das câmeras e agora aposta em um formato que ainda divide opiniões: a novela vertical, pensada para consumo direto no celular.

À frente de "Meu Pai Milionário Me Abandonou", o artista encara a mudança como parte de um processo natural de amadurecimento, e não como uma resposta às críticas que recebeu ao longo da carreira.

"Eu venho de uma trajetória em que as pessoas muitas vezes olharam mais para os rótulos do que para o trabalho. Quando você dirige, mostra outra camada: visão, liderança, sensibilidade. Não é sobre apagar o passado, é sobre mostrar que a minha caminhada não cabe em uma única definição", afirmou.

Douglas já acumula experiências como diretor, incluindo o longa "40 Graus", o que reforça sua transição para uma carreira mais ampla no audiovisual. Ainda assim, ele vê na novela vertical um novo desafio.

Apesar da desconfiança que ainda cerca o formato, o artista acredita que a tendência veio para ficar, impulsionada pela mudança no comportamento do público.

"As pessoas assistem, se emocionam e descobrem histórias pelo celular. Mas não basta gravar em pé e chamar de novela. Precisa ter roteiro, direção, atuação, emoção. O desafio é entender a linguagem sem diminuir a dramaturgia", pontuou.

O título do projeto também chama atenção. Forte e direto, "Meu Pai Milionário Me Abandonou" foi pensado para dialogar com o ambiente digital, mas sem abrir mão da essência dramática.

"Hoje o título precisa chamar atenção, mas não pode ser uma isca vazia. Ele já carrega um conflito claro: abandono, rejeição, busca por pertencimento. Todo mundo entende essa dor em algum nível", explicou.

Nos bastidores, o maior desafio foi equilibrar agilidade e qualidade em uma produção com ritmo intenso.

"Teve momento em que eu pensei: 'a gente precisa resolver isso agora, senão perde a emoção'. Não adianta cumprir diária se a cena não entrega verdade. O mais difícil foi fazer rápido sem perder o olhar", revelou.

Ao comparar os formatos, Douglas destaca que dirigir para o celular exige precisão e adaptação.

"No cinema, você tem tempo para construir atmosfera. No celular, precisa capturar a atenção muito rápido. Não é pensar menor, é pensar de forma mais precisa. O desafio é fazer o público parar de rolar a tela e se importar com a história", disse.

Mesmo vivendo uma fase de transição, o artista evita tratar o momento como uma necessidade de provar algo para a indústria.

"Claro que existe uma vontade de reconhecimento, mas hoje estou mais interessado em fazer do que em convencer. A melhor resposta é continuar trabalhando, com consistência e verdade. A virada não acontece em uma frase, acontece na construção", concluiu.