Processo contra Joelma ganha novo capítulo Foto: Reprodução/ Redes sociais

A história do cruzeiro “Isso é Calypso em Alto Mar” está longe de terminar. Meses depois de Joelma afirmar publicamente que também teria sido vítima do cancelamento do projeto, a disputa ganhou um novo capítulo na Justiça, e a coluna Daniel Nascimento te conta agora com exclusividade.
Documentos de um processo que tramita em São Paulo, aos quais a coluna teve acesso, revelam uma discussão que não aparecia com a mesma força quando o caso veio a público: quando a cantora e sua equipe teriam tomado conhecimento dos problemas envolvendo o cruzeiro e o que fizeram depois disso.
A ação é movida por um fã contra Joelma, a J Music Editora e Produções Artísticas e a Murai Viagens e Turismo, responsável pela comercialização do cruzeiro. O autor afirma ter adquirido uma cabine por R$ 2.330 e sustenta que não recebeu o valor de volta.
Em julho de 2025, a equipe jurídica de Joelma havia declarado que a cantora não tinha participado da organização ou comercialização do cruzeiro e que também teria sido prejudicada pelo episódio. A defesa responsabilizou os organizadores e afirmou que a artista estaria arcando com prejuízos.
Agora, porém, a discussão ganhou novos contornos dentro do processo.
O que o fã alega na Justiça
Na manifestação apresentada à Justiça, o autor sustenta que a J Music já teria conhecimento de problemas envolvendo a Murai desde março de 2024.
A existência de uma ação anterior movida pela própria J Music contra a Murai é utilizada pelo consumidor como argumento. Segundo a réplica, naquele processo já eram discutidos problemas relacionados à organização do evento e à utilização da imagem de Joelma.
O autor sustenta que, mesmo diante dessas informações, a divulgação do cruzeiro teria continuado.
Segundo a petição, Joelma e sua equipe seguiram promovendo a viagem enquanto os consumidores continuavam sendo incentivados a acreditar na realização do projeto. A manifestação cita ainda alterações de datas, falta de informações sobre o navio e outros problemas relacionados à organização.
A tese apresentada pelo fã é de que, se havia conhecimento prévio das irregularidades, a imagem da cantora teria continuado sendo utilizada para transmitir segurança aos consumidores.
É justamente essa alegação que Joelma e J Music contestam no processo.
A defesa mantém outra versão
Joelma e J Music sustentam que a responsabilidade pelo cruzeiro era da Murai Viagens e contestam a tentativa de responsabilizá-las pelos prejuízos.
A defesa afirma que a Murai era responsável pela organização do evento, incluindo a escolha e o fretamento do navio, a publicidade e a comercialização das cabines. Já a J Music sustenta que foi contratada para realizar três apresentações musicais durante o cruzeiro.
Em relação a Joelma, a defesa afirma que a cantora não exercia participação na organização, comercialização ou realização do evento e que sua atuação se restringia à condição de artista contratada.
O embate, portanto, passou a ser também sobre qual era o grau de participação de Joelma e de sua empresa no projeto.
Para o fã, a cantora não poderia ser tratada apenas como uma artista contratada, porque sua imagem teria sido elemento fundamental para a venda das cabines. Para a defesa, porém, a operação comercial e financeira estava sob responsabilidade da empresa responsável pelo cruzeiro.
A documentação também registra que a J Music teria feito um acordo em outra ação envolvendo o mesmo cruzeiro.
O autor deste processo utiliza esse episódio como argumento para tentar demonstrar que a empresa teria assumido responsabilidade em outra demanda. A alegação, contudo, é apresentada pelo próprio autor e não significa, por si só, que Joelma tenha reconhecido responsabilidade neste processo.
Apesar das novas alegações apresentadas pelo fã, Joelma não foi condenada neste processo específico. A Justiça ainda terá de decidir se Joelma, J Music e Murai podem ou não ser responsabilizadas pelos prejuízos alegados pelo autor.
Resumindo: o debate deixou de ser apenas sobre um cruzeiro cancelado. Agora, os autos colocam em discussão o que a J Music e, segundo o autor, Joelma e sua equipe sabiam antes do cancelamento, se a divulgação do projeto continuou mesmo diante dos problemas apontados e qual era, de fato, o grau de participação de cada uma das partes no evento.
E essa é uma questão que a Justiça ainda terá de responder.