Especialistas alertam que essas aves exigem cuidados específicos, rotina adequada e acompanhamento veterinário constanteDivulgação

Cada vez mais presentes nos lares brasileiros, as calopsitas ganharam espaço entre os animais de estimação mais populares do país. No entanto, apesar da aparência dócil e da adaptação ao ambiente doméstico, especialistas alertam que essas aves exigem cuidados específicos, rotina adequada e acompanhamento veterinário constante.
No Dia Mundial dos Psitacídeos, lembrado em 31 de maio, a data chama atenção para a importância da conscientização sobre o manejo correto dessas aves, conhecidas pelo comportamento sociável e pela forte interação com os tutores.
Segundo a médica-veterinária Raissa Natali, do Hospital Veterinário Taquaral, a calopsita não deve ser tratada como um animal de baixa demanda.
“São aves extremamente sociais, que criam vínculos com os tutores e precisam de interação frequente. Quando passam muito tempo isoladas, podem desenvolver sinais de estresse e alterações comportamentais”, explica.
A especialista afirma que a rotina da ave influencia diretamente na qualidade de vida. O ideal é que o animal tenha períodos diários de interação fora da gaiola, sempre com supervisão, além de estímulos ambientais que incentivem comportamentos naturais da espécie.
“A gaiola precisa permitir movimentação adequada, abertura completa das asas e enriquecimento ambiental. Poleiros naturais, cordas e brinquedos ajudam no bem-estar, mas esses itens devem ser alternados periodicamente para evitar desinteresse”, orienta Raissa.
Além da estrutura do ambiente, a localização da gaiola também interfere na saúde da ave. O espaço deve ser iluminado, ventilado e protegido de correntes de ar, fumaça e calor excessivo. Ambientes como cozinhas não são recomendados devido à liberação de gases e vapores potencialmente tóxicos para aves.
Alimentação inadequada ainda é um dos principais problemas
Outro ponto de atenção está relacionado à alimentação. Segundo Raissa Natali, ainda é comum que tutores mantenham dietas baseadas apenas em sementes, o que pode provocar desequilíbrios nutricionais importantes ao longo do tempo.
“A base alimentar deve ser composta principalmente por ração extrusada, que oferece equilíbrio nutricional mais adequado. Verduras e legumes podem fazer parte da rotina alimentar, enquanto frutas devem ser oferecidas com moderação. As sementes devem funcionar apenas como petisco”, afirma.
A veterinária alerta ainda que alguns alimentos considerados comuns dentro de casa podem representar riscos graves para as aves. Chocolate, abacate, cebola, alimentos industrializados e produtos temperados estão entre os itens contraindicados.
Grande parte dos atendimentos clínicos realizados em aves está ligada justamente a erros de manejo e alimentação inadequada. Entre os problemas mais frequentes estão alterações hepáticas, obesidade, deficiência nutricional e distúrbios metabólicos.
Sinais clínicos costumam aparecer tardiamente
As aves possuem comportamento instintivo de esconder sinais de doença, o que torna a observação diária fundamental para identificar alterações precocemente. Mudanças no comportamento, apatia, penas eriçadas, perda de peso, dificuldade respiratória e alterações nas fezes são alguns dos sinais de alerta.
“Quando os sintomas ficam muito evidentes, muitas vezes o quadro já está avançado. Por isso, consultas preventivas são essenciais mesmo quando a ave aparenta estar saudável”, destaca Raissa Natali.
A recomendação é que as calopsitas realizem acompanhamento veterinário anual. Em aves idosas ou com histórico de doenças, o monitoramento pode precisar de intervalos menores.
Decisão exige planejamento e responsabilidade
Além dos cuidados diários, especialistas reforçam que a decisão de adquirir uma calopsita deve considerar o compromisso de longo prazo. A espécie pode viver mais de duas décadas quando recebe manejo adequado.
“É um animal que demanda tempo, presença, enriquecimento ambiental e acompanhamento profissional durante toda a vida. Não é um pet de baixa manutenção”, reforça a veterinária.
No Brasil, a criação de calopsitas é permitida por se tratar de uma espécie exótica doméstica. Ainda assim, a orientação é que a aquisição seja feita de forma responsável, preferencialmente por meio de criadores regularizados, garantindo bem-estar animal e procedência adequada.