
Foi uma época maravilhosa. A cidade do Rio de Janeiro era uma novidade, conviver com artistas que eu só via pela TV era um barato... iniciar uma jornada na TV (eu vinha dos palcos do teatro musical em são Paulo) e vencer os desafios que a linguagem televisiva me lançava (eu não tinha experiência alguma em atuar para uma câmera e isso é um aprendizado)… Tudo foi muito gratificante. Trabalhar com o Walter Avancini (com a supervisão do Dennis Carvalho, na época) foi uma escola e eu amei ter feito cada cena com Ana Lucia Torre, Pedro Paulo Rangel, Taumaturgo, Du Moscovis e Adriana Esteves. Era tudo novidade, frio na barriga, emoção, diversão e aprendi à beça com todos eles.
Ali foi a primeira vez em que percebi a paixão nacional pelas novelas das oito. Tudo o que acontecia na novela era comentado, antecipado, discutido pelo público. De repente, andar nas ruas ficou impossível, tamanha a curiosidade das pessoas pela novela, pelas personagens. Foi outro grande aprendizado sobre a minha profissão, sobre o sucesso, sobre as relações de trabalho. Eu me lembro de adorar receber os capítulos e ler as cenas que o Manoel Carlos escrevia para mim e para a Bruna (Marquezine), aquele estrondo de atriz mirim - hoje é um estrondo de mulher também, né? Era um deleite.
Eu só sonhava poder permanecer no palco, que não fosse só um fogo de palha e eu tivesse que ter outra profissão na vida, porque amava estar ali. Queria estar nos palcos atuando, cantando... Ou fazendo cinema ou TV.
Eu acho que o trabalho visual fala por si. Não gosto de ficar falando sobre isso apenas para dizer que sei pintar. Acho o trabalho visual muito diferente do trabalho de atriz. Um precisa de expansão e o outro de recolhimento… Os públicos também são distintos. Talvez seja incapacidade minha, mas ainda não consegui achar a intersecção entre a artista visual e a atriz que faz novelas. Parecem coisas muito separadas. Os trabalhos estão comigo.
O contrato novo valia a pena sim, mas vale lembrar que eu não 'saí' da Globo em 2005. Meu contrato de prazo longo terminou e não foi renovado, se não me engano, após a novela 'Da Cor Do Pecado'.
No início eu me sentia um pouco constrangida com os comentários, mas logo a coisa foi se dissipando. Namorei por três anos e foi um encontro bacana, enriquecedor. Todos que conviviam conosco compreendiam aquela união e gostavam dela. Acho todo e qualquer preconceito uma ignorância, um atraso de vida, pra ser sincera. Julgar o que não conhece é, para mim, um dos piores hábitos do ser humano atualmente.
A falsidade, a agressividade, a falta de empatia...
É difícil falar porque fomos muito atacados. O ódio, vindo de robôs de gabinetes ou das contas pessoais dos cidadãos é algo tóxico. Envenena. O artista é sensível por natureza e é difícil ser tão agredido (apenas por expressar o que se pensa e deseja, como todo cidadão tem o direito de fazer) e ficar numa boa. Depois de ver os ataques à Fernanda Montenegro, eu tenho repensado tudo a esse respeito. Aquilo foi demais para o meu coração.
Já aconteceu no teatro. Na TV, não me lembro.
A televisão é um lugar em que a gente trabalha com uma pressão muito grande, tanto em relação ao tempo, quanto ao rendimento. Muitas vezes a pessoa é uma coisa dentro do set e outra fora do trabalho, relaxada. Acho que se você tem uma atitude profissional no trabalho, com expectativas de convivência também profissionais, espera apenas cordialidade e respeito.. Nunca tive que brigar por estas coisas, tive sorte ao longo destes anos.
Já, mas resolvi na simpatia. Também tive sorte.
Acho que estamos passando por transformações. Já soube de muitas histórias de ciúme, ódio, inveja, traição e competição no passado. Hoje em dia parece que essas atitudes estão ficando 'cafonas'. Penso que hoje a 'fama e fortuna'(que faziam as pessoas competirem loucamente por um lugar ao sol) podem chegar a quem menos se espera, não só aos artistas, fazendo com que as relações fiquem mais horizontais… Os artistas não são mais as grandes estrelas glamourosas no país. Jogadores de futebol são estrelas no Brasil. Celebridades com zilhões de seguidores são estrelas no Brasil. Nestes meios, onde rolam muito dinheiro e poder, acredito que as puxadas de tapete ainda existam com força, mas não vejo mais o abuso (de qualquer natureza) e a traição sendo tolerados na minha profissão como foi um dia.
Acho que nada, porque eu gosto de ser transparente. Dou bandeira de tudo que eu sou.
Sou espiritualista. Acredito em reencarnação, em energia, em meditação, em evolução. Rezo, medito, faço yoga. Busco a paz.
Uma mãe bacana e uma atriz fazendo seu primeiro monólogo, 'Sombras No Final Da Escadaria', sob a direção do mestre que a fez compreender o que era o teatro, o Amir Haddad! Desbravando as plataformas digitais e se lançando em mais um desafio, com muito prazer.








