André Luis Mansur, jornalista e escritorDivulgação

Jornalista, memorialista e escritor, André Luis Mansur faz faculdade de História pela Universidade Estácio de Sá. Com passagem pelos principais veículos da imprensa carioca, publicou 25 livros, sendo 16 sobre as histórias de bairros do Rio de Janeiro e seis sobre a Zona Oeste, onde reside, região que foi tema de artigos para o jornal "O Dia". Em março, lançará seu primeiro romance histórico: "A casa mais bonita da cidade", que se passa na época da chegada da Família Real portuguesa ao Brasil, em 1808.

SIDNEY: Como morador e conhecedor da Zona Oeste e após publicar seis livros sobre a região, o que falta para incrementar culturalmente essa parte do Rio de Janeiro?

ANDRÉ LUIS MANSUR: Acho que falta principalmente mais equipamentos culturais públicos. Tenho visto muita gente nos bairros da Zona Oeste realizando eventos culturais em espaços privados, como a Casa Bosque, aqui em Campo Grande, mas a carência de espaços públicos voltados para a cultura ainda é muito grande. O seu primeiro livro, "O Velho Oeste Carioca", de 2008, foi lançado em 3 volumes, devido ao enorme material coletado.

Como surgiu a ideia de escrever sobre essa região da cidade e quais as fontes utilizadas?

A ideia surgiu no final dos anos 1990, quando percebi que nas livrarias cariocas praticamente não eram vendidos livros sobre a história da Zona Oeste e dos subúrbios em geral. Utilizei fontes de diversos lugares, como Biblioteca Nacional, Biblioteca do CCBB, Arquivo Nacional, Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, Revistas do IHGB, Arquivo Histórico Ultramarino, entre outras.

Marechal Hermes, onde o senhor morou até os 21 anos, foi tema de dois livros seus. Quais as curiosidades que descobriu sobre o bairro?

Entre muitas curiosidades, estão a de que Marechal Hermes foi o primeiro bairro planejado para trabalhadores no Brasil. O antigo Cine Lux foi o primeiro cinema com cúpula no Rio de Janeiro. Outro fato curioso é que o Teatro Armando Gonzaga foi projetado por Affonso Eduardo Reidy, o mesmo arquiteto que projetou o Museu de Arte Moderna (MAM).

O seu primeiro romance histórico, "A casa mais bonita da cidade", será lançado em breve. Do que ele trata?

A trama passa durante a presença da Família Real portuguesa no Rio de Janeiro, fase que começa em 1808. O tema principal do livro é a chamada "Lei das Aposentadorias", que permitia aos portugueses tomarem as casas dos moradores, sem a menor compensação, para que esses nobres morassem nelas. O título se refere a uma dessas casas, do casal Almeida e Aurora.

O senhor publicou, em 2018, vários artigos sobre a Zona Oeste no jornal "O Dia". Que lembranças guarda dessa época?
Foram mais de dez artigos e neles eu procurei divulgar, além dos fatos históricos, as pessoas e instituições que trabalham com o tema nos bairros da Zona Oeste do Rio. E lembro com saudade do colega Dirley Fernandes, que me convidou para escrever os artigos. Dirley, que foi fundador e editor do site "Devotos da Cachaça", faleceu em 15 de fevereiro de 2023, após ter sido atropelado em São Paulo.

O senhor é convidado a dar palestras em escolas e universidades sobre os bairros, além de ministrar cursos sobre o Rio de Janeiro. O carioca desconhece a história da sua cidade?

O morador do Rio de Janeiro, em geral, conhece muito pouco a História da cidade, a começar pelos seus bairros. Mas eu percebo que, de alguns anos para cá, tem havido um interesse crescente dos moradores em conhecer o passado dos bairros, haja visto a grande quantidade de canais de grande público nas redes sociais sobre o Rio Antigo. O interesse pelo nosso passado aumenta cada vez mais.