Barracão da Grande Riofoto reprodução
Historicamente, a indústria dos desfiles, sempre foi baseada em improvisos, gambiarras, gatos, puxadinhos e espaços inadequados. A realidade de boa parte remonta ao conto de fadas já usado até em seu enredos. Muitas escolas ainda precisam se virar "nos trinta'.
Até o momento, o último episódio foi no barracão da Acadêmicos do Grande Rio, nesta quarta-feira. A rica escola oriunda da carente Baixada Fluminense é chamada entre as mais tradicionais como sucursal do Projac. Trata-se de uma referência aos Estúdios da Rede Globo, tamanha a quantidade de astros e estrelas da dramaturgia da emissora, reproduzindo uma espécie de "Calçada da Fama" durante sua passagem pelo Sambódromo carioca.
Apesar dos danos exclusivamente materiais e de ter atingido uma das agremiações com maior poder financeiro, os prejuízos se irradiam para outras instituições, com paralisações, evacuações e interdições da Cidade do Samba, que mesmo sendo provisórias, não deixa de afetar o processo produtivo às vésperas do Carnaval. Isso sem contar o efeito psicológico sobre as centenas de trabalhadores que atuam diretamente nesse espaço conjunto.
Azar de Estreante
O ditado “sorte de principiante” funcionou às avessas para a chegada ao Grupo de Elite, da Acadêmicos de Niterói, que sofreu recentemente a uma pane elétrica no barracão. Os sinistros não fazem distinção de tamanho, status, história ou recursos financeiros. A diferença se faz nas condições de reconstrução.
Sem uma brigada de incêndio à disposição, a própria comunidade tentava conter as chamas com baldes de água, até a chegada da guarnição do Corpo de Bombeiros mais próxima.
A escola do Jacaré já havia amargado perdas e prejuízos anteriores. No final do ano passado, o fogo também atingiu um espaço dividido com outras coirmãs da Série Ouro, eufemismo criado para denominar as agremiações de acesso, que disputam a difícil e concorrida elevação para o Grupo Especial, que congrega a elite do carnaval carioca.
Tiveram perdas também, Acadêmicos de Vigário Geral, Inocentes de Belford Roxo, Unidos do Porto da Pedra e novamente o Jacarezinho, que enfrenta sucessivas agruras justamente no seu retorno à passarela da Marquês de Sapucaí, depois de 12 anos ausente.
Princípio de Desigualdade
Ou seja, além do luxo e da importância cultural, os desfiles do Rio de Janeiro são tradicionalmente marcados por acidentes facilitados pela falta de estrutura. E, como se, na prática, a isonomia não faça parte do cotidiano do carnaval carioca. O socorro varia de acordo com o prestígio, a influência, a história e o poder econômico. A complacência da flexibilidade do regulamento diante de imprevistos não se mostra universal.
Mestre em Projetos Socioambientais, em Bens Culturais e Designer Educacional
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