A Geobiologia propõe um olhar integrado entre terreno, construção e morador ao considerar forças naturais, materiais saudáveis e organização energética dos espaçosDivulgação / JP Image
Como a Geobiologia pode impactar no bem-estar da casa
Radiações naturais e até a energia do terreno podem impactar o seu humor e a sua saúde
Sabe aquela sensação de entrar em uma casa e sair dela cansado, irritado e sem energia? A explicação pode estar na Geobiologia, estudo que investiga forças invisíveis, como radiações naturais, campos eletromagnéticos e até a energia do terreno. São fatores que, segundo a arquiteta Mariana Meneghisso, à frente da Meneghisso & Pasquotto Arquitetura e ao lado de Alexandre Pasquotto, podem impactar diretamente o sono, o humor e a saúde dentro de casa.
A profissional afirma que, mais do que a estética, o lar passa a ser pensado como um organismo vivo, capaz de nutrir ou drenar o bem-estar. Por isso, pequenos ajustes como a escolha de materiais e até o posicionamento de móveis e eletrônicos podem transformar a forma de habitar. "A casa conversa com o corpo o tempo todo e, mesmo quando não percebemos conscientemente, ela é capaz de nutrir ou drenar nossa energia", explica Mariana. Confira as orientações:
- O terreno não é neutro. A Geobiologia parte de um princípio fundamental: o local onde se constrói carrega histórias, registros e fenômenos naturais que influenciam diretamente a vida humana. Um terreno apresenta veios de água subterrâneos, cruzamentos telúricos (pontos de encontro de energias sutis provenientes do subsolo) e diferentes tipos de radiações naturais. Essas forças interagem com o organismo e moldam a experiência de habitar. O olhar geobiológico observa o solo, identifica interferências e busca compreender como a construção pode dialogar com aquele campo energético específico.
- Quando a casa está desalinhada. Ao integrar os princípios da Geobiologia ao repertório da Neuroarquitetura, campo que estuda como luz, cores, formas e proporções influenciam comportamento e as emoções, surge um novo paradigma, pois se o visível já impacta emoções e ações, o invisível também atua de forma profunda e contínua. Mas como isso se manifesta no dia a dia? Os sinais podem ser sutis, mas cumulativos, como o aparecimento daquela insônia persistente mesmo em um quarto confortável, sensação de exaustão ao acordar, dificuldade de concentração no home office, irritabilidade sem causa aparente, dores de cabeça frequentes em determinados ambientes da casa ou até resistência inconsciente em permanecer em um espaço específico. As causas podem ser camas posicionadas sobre veios de água subterrâneos, berços instalados em pontos de cruzamento energético, mesas de trabalho sob vigas com forte interferência eletromagnética ou áreas de descanso próximas a quadros elétricos. Esses são exemplos recorrentes encontrados em avaliações geobiológicas.
- Materiais que respiram X materiais que intoxicam. Com todo esse novo olhar, o design de interiores também passa a ser visto sob outra perspectiva. Os materiais e acabamentos passam a ser escolhidos sob uma lógica de saúde ambiental. Por isso, a dica é evitar pisos que impeçam a respiração do solo, superfícies que concentram radioatividade natural e tintas ou móveis que liberam compostos tóxicos silenciosamente no organismo. Entre os materiais considerados problemáticos estão tintas com alto teor de VOC (compostos orgânicos voláteis), móveis com excesso de formaldeído, MDF de baixa qualidade, carpetes sintéticos que acumulam ácaros e eletricidade estática, pisos vinílicos com plastificantes tóxicos e revestimentos que criam barreiras impermeáveis sobre o solo.
- Ajustes possíveis. Outro ponto de atenção são os campos eletromagnéticos artificiais como roteadores, televisores, cabeceiras com tomadas embutidas, extensões sob a cama e quadros elétricos próximos a áreas de descanso e eletrodomésticos, sempre concentrados em determinados pontos. Quando somados às radiações naturais do solo, esses elementos intensificam a sobrecarga do organismo. Aqui, vale reorganizar aparelhos, evitar sua presença em áreas de descanso e, sempre que possível, desligá-los à noite, já gera mudanças perceptíveis no bem-estar. Outras medidas incluem priorizar conexões cabeadas em vez de Wi-Fi em áreas de trabalho, afastar a cabeceira da cama de paredes com grande carga elétrica, revisar aterramentos, redistribuir circuitos e evitar o acúmulo de equipamentos eletrônicos no quarto.
- Harmonizar é respeitar o lugar. A arquitetura deve minimizar impactos e criar alinhamento entre construção, lugar e moradores. Mais do que tendência, trata-se de resgatar uma escuta. Assim como os povos antigos observavam a vitalidade do solo antes de erguer suas casas e hoje, mesmo com as novas tecnologias, a sensibilidade ao lugar nem sempre acompanhou esse ritmo. Não se trata de misticismo e sim de saúde. Projetar é mediar forças e quando essa mediação é consciente, a casa deixa de ser apenas cenário e passa a ser aliada ativa da vida.

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