Os financiamentos via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo chegaram a R$ 93,7 bilhões no primeiro semestreAI

O volume de recursos para o crédito imobiliário no país chegou a R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre, avanço de 23% ante os R$ 147,1 bilhões do mesmo período de 2025. Foram financiados cerca de 850 mil imóveis entre janeiro e junho, considerando as transações com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e fontes livres. Os números são da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).

No recorte que abrange o SBPE, os empréstimos para aquisição e construção somaram R$ 93,7 bilhões, alta de 29% na comparação com os R$ 72,9 bilhões do mesmo período de 2025. As concessões via FGTS aumentaram em 22%, totalizando R$ 77,6 bilhões, impulsionadas pelo programa Minha Casa Minha Vida. E o crédito com recursos livres teve queda de 8%, alcançando R$ 9,6 bilhões frente aos R$ 10,4 bilhões do ano passado

Mesmo com o cenário positivo, a Abecip lembra que a Selic (taxa básica de juros) ainda elevada, hoje em 14,25% ao ano, continua pressionando as operações financiadas por recursos captados no mercado. "O crescimento no primeiro semestre reforça a resiliência do setor para a economia e para as famílias brasileiras. Ao mesmo tempo, a elevação da curva de juros prefixada pressiona o custo do funding e reforça a necessidade de diversificarmos as fontes de recursos do setor, complementando a poupança com instrumentos como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário)", observa Michel Cury, presidente da instituição.

Poupança x demanda

O balanço indica ainda que, mesmo sendo uma fonte central do financiamento habitacional, a poupança não tem crescido no mesmo ritmo da demanda por crédito. A captação líquida do SBPE, nos últimos cinco anos, acumulou perdas de R$ 273 bilhões, em um cenário marcado pela maior atratividade de investimentos ligados à Selic. Analisando o primeiro semestre de 2026, o montante líquido ficou negativo em R$ 31 bilhões, contra R$ 38 bilhões no mesmo período de 2025. O saldo permaneceu praticamente estável, passando de R$ 762 bilhões para R$ 764 bilhões. "A poupança continuará exercendo papel estratégico, mas já não consegue, isoladamente, acompanhar toda a expansão da demanda. Por isso, a diversificação do funding é uma agenda estrutural para assegurar recursos de longo prazo e sustentar o crescimento do crédito imobiliário", ressalta Cury.